A importância dos quilombos no Brasil hoje
Enviada em 10/08/2020
O processo de escravização de afrodescendentes no Brasil se iniciou por volta do século XVI durante o Período Colonial. Nesse hiato, por mais de trezentos anos foram escravizados e prestavam serviços em lavouras brasileiras. Ademais, muitos escravos começaram a fugir, fundando comunidades alternativas onde poderiam manter viva suas raízes e demonstrar resistência, no qual eram denominadas quilombos. Todavia, no contexto atual, torna-se evidente descaso governamental e ético sobre a valorização do patrimônio cultural e histórico dos quilombos. Sob essa conjuntura, cabe analisar os fatores que contribuem para a desvalorização herança histórica e cultura deixada por esses povos.
Em primeira análise, é importante destacar o posicionamento do Estado sobre a importância da valorização das terras quilombolas. Sob esse viés, apesar da equiparação que resguarda a propriedade definitiva de quilombos prevista no artigo 68 da Carta Magna de 1988, a administração executiva desafia a manutenção cultural das terras deixando sob descaso. De acordo com o Jornal Folha de São Paulo, uma em cada dez terras quilombolas não possuem a devida regularização. Dessa forma, a inexistência de planos governamentais capazes de impedir a apropriação privada e a desestruturação dessa parcela da população alimenta significativamente para a desvalorização cultural.
Faz-se mister ainda, salientar que os interesses capitalistas ameaçam os quilombos e sua importância no cenário cultural nacional, principalmente por parte do setor agropecuário. O avanço exponencial das fronteiras agrícolas se faz, muitas vezes pela expropriação de propriedades alheias , resultando em disputas latifundiárias com a população que dependem daquele local como é o caso dos quilombolas. Conforme, defende o filósofo Jean Paul Sartre, independente que da forma que a violência se manisfeste, sempre será uma derrota. Sob o mesmo ponto de vista, podemos equiparar a situação entre agricultores e quilombolas na disputa territorial, onde a parcela marginalizada e desprezada sofre com a perda cultural e habitacional, levando a reviver as chagas vividas no passado amargurado.
Infere-se portanto, que há entraves politicas que garantam a valorização cultural dos quilombos, lhes dando a devida importância. Neste sentido, cabe ao Governo Federal, através da ação da Polícia Federal, o envio de tropas para regiões onde há o avanço das fronteiras agrícolas sobre os quilombos, afim de fiscalizar e evitar conflitos entre representantes dos latifundiários e a população quilombola, visando manter o respeito e segurança dessa comunidade. Cabe também a governo promover medidas de regularização de terras visto que a Constituição Federal promete amparo as terras quilombolas. Com tais implementações espera-se promover uma melhora, preservando as raízes históricas deixadas.