A importância dos quilombos no Brasil hoje
Enviada em 07/08/2020
Na época da escravidão no Brasil, muitos escravos conseguiam fugir de seus senhores e se refugiavam em quilombos, comunidades que tinham como objetivo preservar a cultura africana e que era um símbolo de resistência contra o sistema escravista. Hodiernamente, mesmo passados mais de 100 anos da abolição, os quilombos ainda existem e continuam sendo locais de resistência da população negra contra o racismo e a reivindicação do direito à terra, além de serem de suma importância para a preservação de sua cultura. Sendo assim, é imperante reconhecer o significado dos quilombos na formação da identidade cultural do país com um olhar crítico, a fim de propor medidas para solucionar esse cenário de negligência.
Primeiramente, é valido citar o conceito antropológico de cultura, que afirma que sem cultura não há sociedade. Desse modo, observa-se como a preservação das sociedades quilombolas contribui para a preservação de sua cultura, que, indubitavelmente, está muito presente em toda a história do Brasil. Essa realidade pode ser provada pelo livro “Festa dos Quilombos”, de Gloria Moura, que mostra a importância dos quilombos na construção identitária do país. No entanto, é inegável que o racismo existente ainda hoje no Brasil reflete em uma sociedade atrasada, que não aceita a diversificação cultural do país que vive, e contribuem, então, para a desvalorização da cultura afrodescendente, colocando-a em risco, como pode ser observado na realidade educacional brasileira, com cenário curricular indiferente à História da África.
Ademais, cabe dizer que os mocambos de hoje ainda enfrentam uma forte luta para demarcação de suas terras, que lhes pertencem desde o período colonial. Com isso, é fato que o reconhecimento dessas comunidades é uma forma de reparar os danos do período escravagista. Contudo, o preconceito vigente na sociedade não permite que isso aconteça, e o agronegócio e os latifundiários destroem essas áreas, sem se importar com o que estão acabando, visando apenas negócios e lucros. Outro fato extremamente preocupante é uma matéria da Folha de São Paulo, que disse que apenas uma em cada dez terras quilombolas no Brasil receberam título de posse, o que demonstra o descaso do Governo em relação a preservação da cultura negra no país e negligenciação das sociedades mocambas.
À luz desses fatos, é visível que ainda não é reconhecida a importância dos quilombos hoje e, portanto, são necessárias medidas para resolver essa problemática. Para isso, é preciso que o Ministério da Educação acrescente na grade curricular a história negra e africana, valorizando sua luta e os quilombos existentes. O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, por sua vez, deve providenciar a demarcação de todas as terras quilombolas no Brasil, além de proibir a prática do agronegócio nessas áreas. Espera-se, assim, que o multiculturalismo seja respeitado e realçado, para que haja uma efetiva preservação da cultura africana, tão importante para formação da nossa identidade nacional.