A importância dos quilombos no Brasil hoje
Enviada em 07/08/2020
No filme, A Procura da Liberdade, o escravo Samuel Woodward e sua família escapam da plantação Monroe, onde eram mantidos presos, e saem em busca de um lugar para viver. De maneira análoga, os escravos que aqui no Brasil conseguiram fugir e formaram os Quilombos representam a liberdade e a igualdade: direitos garantidos na Constituição Federal de 1988. Porém, hodiernamente, essa luta ainda não foi vencida, pois há evidências de que alguns cidadãos se encontram aprisionados e maltratados. Dessa forma, em razão da falta de debate e de uma insuficiência legislativa, emerge um problema complexo que precisa ser revertido.
Primeiramente, é preciso salientar que o silenciamento é uma causa latente do problema. Segundo Foucault, na sociedade pós-moderna muitos temas são silenciados para que estruturas de poder sejam mantidas. Diante disso, verifica-se uma lacuna em torno dos debates sobre a importância dos quilombos nos dias atuais, o que contribui para o aumento do escasso conhecimento da população sobre a questão, uma vez que os grupos quilombolas brasileiros, juntamente com todos os elementos da resistência e cultura negra, foram omitidos em nome de um projeto nacional “desenraizado”, simbolizado na República de 1891, tornando, desta forma, sua resolução mais dificultada.
Em segundo plano, outra causa para a configuração do problema refere-se a exiguidade legislativa. Consoante ao pensamento filosófico de Aristóteles, a política tem como função preservar o respeito entre as pessoas de uma sociedade. Entretanto, apesar de a Constituição Federal de 1988 garantir aos quilombos que seus direitos serão assegurados, na prática, essa vicissitude é contrária, uma vez que o número de assassinatos de quilombolas no Brasil aumentou 350% nos últimos 3 anos, segundo relatório intitulado “Racismo e violência contra quilombos no Brasil”. Logo, urge a necessidade de se mitigar o sisudo problema discorrido.