A importância dos quilombos no Brasil hoje
Enviada em 08/08/2020
Frutos do período colonial e escravocrata, os quilombos, comunidades formadas por escravos fugidos das fazendas, permanecem presentes na atualidade e representam uma parte essencial da história e da cultura brasileira, porém, essas organizações enfrentam problemas relacionados à sua cultura e às suas terras.
Em primeiro lugar, o desconhecimento de grande parte da população acerca dos quilombos e da cultura quilombola é um motivador de preconceitos, sejam eles devido à sua religiosidade, sua raça, tradições ou costumes. Esta intolerância pode evoluir e se tornar a chamada discriminação, em que pessoas, por pertencerem a determinados grupos, são tratadas de maneira negativa, sendo segregadas do resto da sociedade, as impedindo de usufruir de direitos básicos como saúde, educação e segurança.
Além disso, outra dificuldade enfrentada pelos quilombos e seus povos está relacionada ao desrespeito da demarcação de suas terras, visto que, de acordo com o Incra, Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, no Brasil, de um total de 2.715 territórios quilombolas, somente 182, que representam 6,7%, são titulados, ou seja, que pertencem a essas comunidades e as sustentam. Este dado revela que por falta de titulação, estes territórios estão sujeitos à expansão do agronegócio e a especulação imobiliária, visto que essas atividades requerem grandes áreas para serem realizadas e ocasionariam a destruição dos quilombos juntamente com a cultura de um povo e uma história nacional.
Visando a preservação nacional dos quilombolas, o Governo Federal deve direcionar a verba dos impostos para institutos como o Incra, para que estes possam agilizar as ações de titulação e regulamentem todas as comunidades do Brasil. Ademais, o Estado deve realizar fiscalizações periódicas, por meio de um corpo especializado em ações de campo, juntamente com o apoio dos quilombos, os quais devem denunciar qualquer tipo de avanço ilegal em suas propriedades. Por fim, a direção do país deve, por meio da mídia, divulgar campanhas de conscientização à todas as pessoas, para que compreendam a necessidade de preservação e respeito do povo quilombola.