A importância dos quilombos no Brasil hoje

Enviada em 06/08/2020

O período que antecede a promulgação da Lei Áurea, em 1888, é marcado pela escravidão e, por consequência, pela luta dos povos negros para possuírem a própria liberdade. Desse modo, entre os séculos XVII e XIX, ocorreu o surgimento das comunidades quilombolas, locais que abrigavam os escravos fugitivos e asseguravam a individualidade desses grupos. Contudo, apesar da tamanha riqueza cultural que esses quilombos oferecem ainda nos dias atuais, a preservação dessas áreas é defasada, seja pela ineficiência pública ou pela ignorância da sociedade. A situação compromete o passado histórico brasileiro e deve ser reavaliada.

Em primeiro plano, é válido ressaltar a importância do reconhecimento dessas etnias e territórios,  já que ambos são testemunhos vivos. As terras, assim como os descendentes delas, representam patrimônios, são destaques positivos de resistência e servem de objetos para estudos sociais. Todavia, a população não reconhece tais agregações, estando ainda atrelada aos pensamentos eurocentristas. Isso se deve a falta de informações sobre a jornada negra e as contribuições resultantes. Dessa forma, coligando à teoria do filósofo Confúcio, as gerações que não conhecem a caminhada dificilmente se preocuparão em conservar as tradições, o que acometerá na repetição de erros antigos.

Paralelo a essa perspectiva, é fato também que há uma negligência pública acerca da demarcação territorial quilombola. Os representantes do agronegócio brasileiro - em especial os componentes da bancada ruralista - visam essas zonas para investirem na agropecuária e, para obterem sucesso, desmatam áreas privadas e destinadas às etnias negras. Com isso, além de roubarem os costumes dos povos, auxiliam no genocídio cultural, diminuindo o número de grupos representantes. Portanto, todas essas afirmações concretizam o ceticismo por parte da sociedade e dos governantes acerca do debate.

Diante dos fatos supracitados, medidas são necessárias para minimizar as defasagens. Logo, cabe ao Ministério da educação a tarefa de inserir, desde os âmbitos infantis, a história das comunidades quilombolas nas escolas de todo o país, por meio do acréscimo da matéria “Negros: A Jornada” nas grades curriculares - da qual será lecionada pelos professores de história -, à vista de promover a conscientização precoce da luta negra e ressignificar os pensamentos ignorantes. Ademais, compete ao Ministério da Cultura o dever de fortificar as demarcações das terras, por intermédio de leis, aprovadas pela Câmara dos Deputados, que autorizem multas - sujeitas à prisões - para os que descumprirem os critérios pré estabelecidos, com o fito de garantir a autodeterminação dos povos e resguardar os direitos listados na Constituição de 1988. Assim, espera-se que o pensamento de Confúcio não seja iminente na nação verde-amarela.