A importância dos quilombos no Brasil hoje
Enviada em 08/08/2020
O filme “Cafundó”, interpretado pelo ator brasileiro Lázaro Ramos, retrata a vida de um personagem real saído da senzala e, exemplo de luta pela dignidade negra. Já fora das telas, a importância do papel dos quilombos no Brasil, ainda não é uma realidade no país, tornando necessário o seu combate para a construção de uma cidadania igualitária.
Os quilombos, no passado, constituíam-se locais de refúgio dos africanos escravizados em todo continente americano. No Brasil têm-se a figura do líder quilombola Zumbi dos Palmares como símbolo de resistência afrodescendente, morto no dia 20 de novembro de 1965, data escolhida para comemorar o Dia da Consciência Negra brasileira. Nos dias atuais, os quilombos remanescentes não enfrentam senhores de engenho, nem a sociedade escravocrata, atualmente, seus inimigos são as grandes corporações de construção civil, que invadem terras quilombolas para investimentos em prédios e resorts. Além disso, a morosidade do sistema judicial para emitir laudos técnicos para o reconhecimento de títulos de quilombos brasileiros também deve ser destacada.
Contudo, o problema está longe de ser solucionado. Segundo a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq), os casos de quilombolas assassinados aumentaram após o interesse das empreiteiras em suas terras, como também, a falta de de reconhecimento dos quilombos produz a marginalização desse povo ao acesso á saúde e educação no país.
Em virtude dos fatos mencionados é mister que a receita federal invista uma maior parcela dos impostos arrecadados no poder judiciário, por meio da contratação de profissionais especializados em questões quilombolas, com a finalidade de agilizar processos de conquista de títulos e garantir direitos básicos. Vale também a ação do Ministério da Segurança Pública, por meio de subsídios concedidos pelo governo, a mobilização policial no monitoramento e vigilância dos quilombos, para garantir a integridade física dos quilombolas.