A importância dos quilombos no Brasil hoje

Enviada em 08/08/2020

“Eu tenho um sonho. O sonho de ver meus filhos julgados por sua personalidade, não pela cor de sua pele”. A frase, do pastor estadunidense Martin Luther King, explicita a ideia de que todos devem ser julgados pelo seu caráter e não por suas características étnicas. Atrelando esse conceito com a contemporaneidade, nota-se que quando se discute sobre a importância dos quilombos no século XXI, é perceptível que esses exercem um enorme papel histórico na resistência e perpetuação cultural dos povos negros que por anos tiveram seus quilombos destruídos por bandeirantes paulistas e ainda nos dias atuais, mais de um século após a abolição da escravatura, lutam constantemente contra o preconceito racial e o direito de terras. Desse modo faz-se necessário debate sobre as causas, consequências e a possível solução dessa problemática.

Em primeiro lugar, é notório que muitos quilombos espalhados por todo o território brasileiro ainda são vítimas do racismo estrutural, estão a margem de políticas públicas e com uma enorme dificuldade na regularização fundiária. Acerca disso, convém apresentar os dados do IBGE, os quais comprovam que 75% dessa população vive em pobreza extrema e aproximadamente 55% não possui acesso à água encanada. Além disso, a falta de um departamento governamental responsável por desenvolver projetos de valorização e manutenção desse povo tão importante para memória cultural da nação, impossibilita ainda mais o desenvolvimento social e de qualidade de vida a esses.

Outrossim, é necessário ressaltar que a posse de terra é um dos maiores problemas enfrentados pelos quilombolas, uma vez que, as terras quilombolas registradas simbolizam cerca de 0,11% território do Brasil e esses números não iram aumentar, visto que de acordo com a BBC news cerca das três mil comunidades quilombolas do território nacional, apenas 207 detém jurisdição das propriedades. Devido as dificuldades dos processos de aquisição dos documentos que comprovam o monopólio e a não prioridade governamental, sofre tal assunto. Desse modo, sem a comprovação, os quilombolas não conseguem acesso a programas governamentais de financiamento a agricultura, atividade de fundamental importância nessas terras, contribuindo então para o subdesenvolvimento dessa parte do corpo social.

Portanto, o Governo e o INCRA devem trabalhar com maior eficiência e dar prioridade aos processos que ainda estão abertos para distribuir melhor as terras para os quilombolas e destinar terras de qualidade boas para a agricultura de subsistência e criação de animais. Além disso, faz-se necessário o desenvolvimento de um projeto de apoio econômico afim de viabilizar a esses as diretrizes básicas, facilitando o alcance das políticas de avanço agrícola e aos direitos previstos na Constituição.