A importância dos quilombos no Brasil hoje

Enviada em 09/08/2020

Policarpo Quaresma, protagonista de Lima Barreto, tem como característica mais marcante um nacionalismo ufanista, acreditando em um Brasil utópico. Entretanto, o descaso com A importância dos quilombos no Brasil hoje torna o país ainda mais distante do imaginado pelo personagem. Nessa perspectiva, seja pela não importância do estado sobre os quilombolas, seja pelo resquícios da escravidão, o problema permanece afetando grande parcela da população e exige uma reflexão urgente.

Primeiramente, é valido ressaltar que discutir a importância quilombola no Brasil é lembrar de seu principal pleito, a questão do assentamento de terras, e como este pautou-se em um contexto agrário excludente. Com a Lei de Terras de 1850, a posse das propriedades se deu exclusivamente por compra, restringindo o monopólio à elite e condicionando os escravos à ilegalidade. O Estado não ofereceu nenhum subsídio para posse de propriedades de qualquer natureza, nem mesmo a legalização dos quilombos, criando, conforme Boris Fausto, uma parcela totalmente desassistida, visualizada ainda hoje. O cerne da questão quilombola atual, portanto, repousa na busca por esse direito e pelo que ele representa.

Ademais, é importante ressaltar que a desvalorização dos mocambos acontece nas instituições de ensino. Isso é observado, principalmente, na medida em que não são abordados com ênfase nas atividades educacionais, figuras emblemáticas como Zumbi e Dandara - líderes do famoso Quilombo dos Palmares no século XVI -, e manifestações características do povo quilombola, a exemplo da capoeira e do samba de coco. Essa situação gera reflexos negativos na formação identitária dos afrodescendentes e dos demais cidadãos, tendo em vista que uma parcela da herança cultural brasileira é reprimida. Logo, é substancial a mudança desse quadro.

Infere-se, portanto, medidas são necessárias para a resolução dessa problemática. Dessa forma, o Estado deve gerar um foco maior nas comunidades quilombolas atuais, por meio do redirecionamento de verbas para preservação desses espaços e da otimização da demarcação de terras, a fim de cumprir as bases constitucionais e de ratificar a relevância desses grupos para a construção identitária do país. Além disso, é imprescindível que as escolas abordem com mais periodicidade temas relacionados ao âmbito da cultura negra e dos mocambos, com fito de inserir e de manter essa população e seus respectivos costumes mais próximos da sociedade em geral. Somente assim, notar-se-á a sociedade imaginada por Policarpo Quaresma.