A importância dos quilombos no Brasil hoje
Enviada em 09/08/2020
Na obra “A cidade do Sol”, do escritor renascentista Tommaso Campanella, é retratada uma sociedade utópica, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. Entretanto, o descaso com a importância dos Quilombos no Brasil, contraria a idealização formulada pelo filósofo. Nessa perspectiva, diante de uma realidade instável que mescla discussões sobre a ausência de atenção do Governo no território mocambo e sobre o menosprezo educacional acerca da história Quilombola, o entrave permanece afetando grande parcela da população e exige uma reflexão imediata.
A priori, é importante destacar que a omissão das esferas públicas é um grande impasse à desestruturação do anômico desrespeito aos mocambos remanescentes no Brasil contemporâneo. Nesse prisma, insere-se o direito fundamental à propriedade e a valorização cultural das comunidades quilombolas, previsto na Constituição Cidadã de 1988. No entanto, a não efetivação das declaradas garantias configura um cenário caótico para a premissa supracitada. Desse modo, é necessário a quebra dessa situação que prejudica a nação brasileira.
Ademais, é fulcral pontuar a desvalorização dos mocambos nas instituições acadêmicas. Nesse contexto, percebe-se que a história Quilombola não é abordada com ênfase nas atividades educacionais, principalmente em aulas de História e Artes, as figuras emblemáticas como Zumbi dos palmares e Dandara - líderes do famoso Quilombo dos Palmares no século XVI - e manifestações características do povo quilombola, a exemplo da capoeira e do samba de coco. Sob essa ótica, nota-se que essa situação possui reflexos negativos na formação identitária tanto dos afrodescendentes, quanto dos demais cidadãos, tendo em vista que uma parcela da herança cultural brasileira é suprimida. Logo, é substancial a mudança desse quadro.
Portanto, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática. Assim, é impreterível que o Estado - importante órgão articulador de ações públicas - amplifique as políticas voltadas para as comunidades quilombolas contemporâneas, por meio do redirecionamento de verbas para preservação desses espaços e da otimização da demarcação de terras, a fim de cumprir as bases constitucionais e de ratificar a relevância desses grupos para a construção identitária do país. Somente assim, notar-se-á a sociedade ideal e perfeita especificada na utopia de Campanella.