A importância dos quilombos no Brasil hoje
Enviada em 09/08/2020
Na física, o conceito de entropia mensura o grau de desordem em um sistema termodinâmico. De forma análoga, além das ciências da natureza, no que concerne a importância dos quilombos no Brasil hoje, há também a constatação de um problema entrópico-social, em virtude do desarranjo que é proporcionado à sociedade brasileira. Nessa perspectiva, seja pelo menosprezo educacional acerca da cultura dos locais para refúgio dos escravos, seja pela a ausência de atenção do Governo no território mocambo, o entrave permanece afetando grande parte da população, sendo mister explicitar as nuances da problemática.
A priori, é importante ressaltar que a desvalorização dos mocambos ocorre também em instituições de ensino. Isso é observado, sobretudo, na medida em que não são abordados com ênfase nas atividades educacionais, figuras emblemáticas como Zumbi e Dandara - líderes do famoso Quilombo dos Palmares no século XVI -, e manifestações características do povo quilombola, a exemplo da capoeira e do samba de coco. Essa situação gera reflexos negativos na formação identitária dos afrodescendentes e dos demais cidadãos, tendo em vista que uma parcela da herança cultural brasileira é suprimida. Logo, é substancial a mudança desse quadro.
Outrossim, é válido reconhecer que a omissão das esferas públicas ainda é um grande impasse à desestruturação do anômico desrespeito aos quilombos remanescentes no Brasil contemporâneo. Nesse sentido, insere-se o direito fundamental à propriedade e a valorização cultural das comunidades quilombolas, constitucionalmente previsto na Carta Cidadã de 1988. Entretanto, a não efetivação das declaradas garantias configura um cenário caótico para a premissa supracitada. Desse modo, é necessário a quebra dessa situação que prejudica a nação brasileira.
É evidente, portanto, que medidas são indispensáveis para combater esses fatores e mudar o percurso do inercial problema. Assim, o Estado - importante órgão articulador de ações públicas -, deve ampliar as políticas voltadas para as comunidades quilombolas contemporâneas, por meio do redirecionamento de verbas para preservação desses espaços e da otimização da demarcação de terras, a fim de cumprir as bases constitucionais e de ratificar a relevância desses grupos para a construção de sua identidade em território nacional. Somente assim, notar-se-á a extinção do problema entrópico inserido no país.