A importância dos quilombos no Brasil hoje
Enviada em 09/08/2020
Desde o Iluminismo, entende -se que uma sociedade só progride quando um se mobiliza com o problema do outro. No entanto, quando se observa a questão dos quilombos, no Brasil, hodiernamente, verifica-se que esse ideal iluminista é constatado na teoria e não desejavelmente na prática e a problemática persiste intrinsicamente ligada à realidade do país, seja pelo preconceito que permanece na sociedade, seja negligência nos parâmetros educacionais. Nesse sentido, convém analisarmos as principais consequências de tal postura negligente para a sociedade.
É indubitável que a questão constitucional e a sua aplicação estejam entre as causas do problema. Segundo o filósofo grego Aristóteles, a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. De maneira análoga, é possível perceber que, no Brasil, o preconceito vivido pelos descendentes africanos, principalmente os habitantes de quilombos, rompe essa harmonia, haja vista que nega a essas pessoas seus direitos de serem reconhecidos, terem suas histórias contadas para o povo que eles também ajudaram a formar.
Outrossim, destaca-se a ausência da história do povo africanos nas matrizes curriculares como impulsionador do problema. De acordo com Durkheim, o fato social é uma maneira coletiva de agir e de pensar, dotada de exterioridade, generalidade e coercitividade. Seguindo essa linha de pensamento, observa -se que a idéia de se aprofundar na história dos colonizadores é algo comum em todas as escolas do Brasil, porém, quando se trata da história dos africanos muitas vezes não é dada a importância merecida, quando ambos os povos ajudaram a construir a identidade da nação.
É evidente, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem à construção de um mundo melhor. Como já dito pelo pedagogo Paulo Freire, a educação transforma as pessoas, e essas mudam o mundo. Logo, o Ministério da Educação (MEC) deve instituir, nas escolas, palestras ministradas por especialistas, que discutam a importância social da cultura africana na formação do Brasil. Além de colocar como obrigatória conteúdos sobre a história dos africanos na matriz curricular de história em todas as escolas, públicas ou privadas, a fim de que o tecido social se desprenda de certos tabus para que não viva a realidade das sombras, combatida pelo Iluminismo.