A importância dos quilombos no Brasil hoje
Enviada em 13/11/2020
Durante mais de 300 anos, a escravidão existiu no Brasil e as suas vítimas foram, principalmente, africanos trazidos compulsoriamente em péssimas condições sanitárias. Posteriormente, eles trabalharam forçadamente e passaram por violências psicológicas, físicas e sexuais. Nesse cenário, surgiram inúmeras formas de resistência, nas quais se incluiu o ajuntamento de escravos fugidos em espaços de liberdade. Sob tal ótica, os quilombos foram e são extremamente importantes para o Brasil, visto que são um registro vivo da história e fundamentais para a perpetuação de uma cultura.
Inicialmente, a existência dessas vilas é essencial para o estudo histórico e para a construção de uma sociedade melhor. Em consonância com George Santayana, “aqueles que não conseguem lembrar o passado estão condenados a repeti-lo”. Dessa forma, os quilombos, na contemporaneidade, exercem o papel de relembrar as injustiças, sofrimentos e lutas dos negros no passado, bem como mostrar que eles são capazes de muitas coisas quando estão livres para fazê-las. Nesse sentido, é fundamental o auxílio governamental aos aquilombados para que, ao ver esses lugares, as pessoas se revoltem com as maldades do passado e busquem conquistar direitos mais igualitários para todos e combater qualquer discurso de ódio, superioridade racial ou segregação de outrora.
Outrossim, nos mocambos, as manifestações da cultura afro-brasileira têm liberdade e incentivo para acontecerem. De acordo com Gilberto Freyre, o Brasil foi formado por uma miscigenação benigna entre indígenas, portugueses e africanos, sem que nenhum fosse mais importante do que o outro. Contudo, o que se percebe historicamente nas políticas públicas do país é uma preferência por elementos europeus em detrimento dos demais, como mostra, por exemplo, a proibição da capoeira até o governo de Getúlio Vargas. Diante disso, os quilombos sempre funcionaram como um lugar de resistência cultural, onde as religiões, danças, artesanatos e outros costumes de matriz africana foram valorizados, o que contribuiu fortemente para que esses traços se perpetuassem e chegassem até hodiernidade.
É mister, portanto, tomar medidas que valorizem e protejam os quilombos atuais do Brasil como uma forma de evitar os erros do passado. Logo, cabe ao Poder Executivo federal promover a permanência e a influência desses espaços na sociedade, por meio do aumento no número de tombamentos de mocambos como patrimônios históricos e culturais. Ademais, os estudos sobre a importância dessas vilas nos colégios deverão ser acompanhados de passeios a esses lugares que visem tornar as manifestações artísticas africanas conhecidas aos alunos e fomentar o comércio de produtos locais. Espera-se, assim, ajudar na perpetuação da cultura desse povo e proteger a história nacional.