A importância dos quilombos no Brasil hoje
Enviada em 23/12/2020
O Modernismo, escola literária do século XX, defendeu a valorização dos grupos marginalizados. Entretanto, esse ideário não é presente no Brasil, haja visto que os quilombos, importante lugar de manifestação cultural dos negros, são desvalorizados. Tal mazela ameaça não só a reafirmação da identidade dessa população, como também a nutrição da memória de escravidão. Diante disso, é basilar que seja reconhecida a importância dessas localidades.
É fundamental destacar, primeiramente, que, segundo o sociólogo Franz Boas, não deve haver a hierarquização de culturas. No entanto, a desvalorização dos quilombos contraria a visão de Boas, já que reflete a ideia de inferioridade dos costumes da população negra. Isso ocorre porque tais localidades atuam em prol de reduzir o escalonamento de culturas, na medida em que conservam o africanismo. Por conta disso, cria-se um obstáculo para a reafirmação da cultura africana, no Brasil, como constituinte da identidade nacional. Desse modo, é inaceitável que os quilombos não sejam valorizados, ainda que nosso país tenha como principal marca o multiculturalismo.
Além disso, de acordo com David Eagleman - neurocientista e escritor de best-selers - a memória é constituída a partir de redes neurais, que, caso não sejam estimuladas, são desfeitas. Nesse sentido, os quilombos expressam a teoria de Eagleman, visto que perpetuam a memória dos horrores da escravidão. Isso ocorre porque essas localidades foram, inicialmente, formadas por escravos fugidos da opressão. Consequentemente, embora existam discursos contrários a esse agrupamento, como os do presidente Bolsonaro, parte da sociedade condena-o por conhecer a história de tal evento. Dessa forma, os quilombos são eficientes na perpetuação da história escravocrata e, por isso, impedem que ela se repita.
Fica claro, portanto, que os quilombos são importantes para a promoção da igualdade racial. Dito isso, urge que as ONGs - responsáveis por suprir as ausências estatais - garantam a permanência dessas localidades, por intermédio de parcerias com o Governo Federal, as quais promoverão financiamentos para os quilombolas, com o objetivo de promover a reafirmação da identidade negra e, também, perpetuar a memória da escravidão. Assim, a denúncia das mazelas feita pelos modernistas será, em fim, dirimida.