A importância dos quilombos no Brasil hoje

Enviada em 15/01/2021

O filme brasileiro “Quilombo” retrata a história de resistência de grupos à escravidão no período colonial. Sob essa ótica, os mocambos, assim também conhecidos, representam um relevante modelo de combate à segregação racial a partir da união e inclusão de diferentes etnias, todavia, não é efetivada a sua devida importância histórica. Isso ocorre, sobretudo, não só em virtude da desigualdade social, mas também do racismo estrutural presente no país.

Diante desse cenário, convém enfatizar que a desigualdade social propicia a falta de informação acerca da memória dos quilombos no Brasil. Nesse sentido, o Índice de Gini, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), enquadra o Brasil como um dos dez países mais desiguais do mundo. Destarte, é indubitável que essa triste realidade reforça a ignorância social acerca da grande relevância quilombola como patrimônios imateriais devido à ausência de um ensino abrangente que supere as barreiras da pobreza de todo o país.

Além disso, cabe destacar que o racismo estrutural presente no panorama atual brasileiro perpetua a negação do protagonismo da narrativa afrodescendente. Nesse contexto, a banda Racionais MC’s disserta em uma de suas músicas que é cultural ver o negro pobre, preso ou morto. Dessarte, é evidente que o preconceito enraizado na sociedade oportuniza a negligência dos quilombolas como importantes modelos de representatividade que devem ser respeitados e difundidos, dados os grande exemplos de líderes e valores que surgiram nesse panorama.

Evidencia-se, portanto, a necessidade de alterações no quadro atual. Para tanto, cabe à Secretaria Especial da Cultura, órgão responsável pelo incentivo à sobrevivência da história nacional, a realização de uma campanha institucional por meio de simpósios e propagandas nas mídias digitais com o fito de fomentar a importância histórica dos mocambos e, consequentemente minimizar o racismo estrutural. Feito isso, personagens do filme “Quilombo” poderão ser encarados como heróis nacionais.