A indiferença coletiva em relação à desigualdade social brasileira
Enviada em 05/10/2026
A consolidação de uma coletividade justa demanda de superação de alguns entraves sociais enraizados na sociedade. Contudo, no Brasil atual, a indiferença coletiva em relação a desigualdade social reflete o oposto desse ideal. Trata-se portanto, de um problema complexo, impulsionado pelo preconceito social e pela estrutura estatal segregacional, carecendo de debate urgente.
Primeiramente, cabe ressaltar o preconceito socioeconômico como um dos fatores preponderante ao problema em questão. Nesse sentido, a filósofa Adela Cortina defende que a apofobia - aversão a pessoa pobre - como um problema social crescente ante o avanço do pensamento capitalista de produção individual que mede o valor humano de acordo com sua capacidade de produzir capital. Analogamente, no Brasil contemporâneo, a tese defendida por Candela se mostra presente nos diversos setores sociais, promovendo a segregação e indiferença da classes economicamente vulneráveis.
Ademais, o Estado reproduz a aporofobia na própria arquitetura urbana acentuando a apatia às desigualdades. Isso se comprova com aplicação da “arquitetura hostil”, conceito de arquitetura de criar barreiras físicas que visam promover o afastamento de pessoas marginalizadas de espaços públicos como bancos individuais em praças ou pedras depositadas sob viadutos. No brasil esse conceito agressivo é empregado principalmente nos grandes centros, insuflando o higienismo urbano ao invés da acolhida e amparo social.
Portanto, medidas devem ser tomadas para mitigar insensibilidade à desigualdade social. Cabe a Câmara dos Deputados Federais - órgão responsável por criar leis no âmbito federal - implementar uma lei proibitiva da arquitetura hostil no Brasil. Essa norma deve ser criada diante de consulta prévia dos departamentos de assistência sociail de cada município visando a retirada das barreiras físicas de locais públicos bem como o atendimento prévio de qualquer usuário desses locais que esteja em situação de vulnerabilidade. Somente assim o Brasil consolidará uma coletividade plenamente justa.