A influência do espaço virtual nas campanhas eleitorais
Enviada em 29/05/2023
A integração de novas tecnologias na vida pública ocorre de maneira gradual, e o emprego da internet, especialmente as redes sociais, é um dos mais recentes exemplos. O slogan “Make America Great Again” foi uma “hashtag” do partido republicano na eleição de 2016 que contribui para vitória de Donald Trump, ao tomar as redes e o discurso público digital. Diante deste novo modelo eleitoral virtual, surge um importante questionamento: seria a internet um espaço de livre circulação de ideias, e talvez não fosse necessário regular este meio?
Durante o processo eleitoral de 2022, o “thinktank” conservador “Brasil Paralelo” foi o maior impulsionador de conteúdo dentro das redes sociais mais populares como “Facebook” e “Instagram”, isto foi dito pela própria “Meta”, dona destas redes. Consequentemente, a organização partidária bolsonarista possuí capacidade de mobilização e domínio da narrativa política pois impulsiona seu próprio conteúdo nas redes por maciços investimentos financeiros, que permite que sua narrativa seja veiculada para mais pessoas, ou seja, mais possíveis eleitores.
Entretanto não é somente a publicidade, mas o meio escolhido para ela um importante meio para veiculação de informação, as redes sociais. Muito criticadas pela passividade diante da “postagem” de conteúdo de discursos falsos, as infames “fake news”, os gigantes “Meta, Twitter, Telegram e YouTube” se utilizaram de seus próprios recursos para virar a opinião pública contra a “PL das Fake News” e mobilizar parlamentares e figuras públicas sobre o papel das “Big Techs” no jogo político, o que demonstra a grande capacidade de controle de opinião delas.
Portanto, fica claro que a internet não é um ambiente de livre veiculação de ideias, e que há interesses políticos em seu uso para fins eleitorais. Com isto em mente, é necessário atuação do chefe de estado e do Ministério da Comunicação em mobilizar a EBC (Empresa Brasileira de Comunicação) em buscar o enfrentamento político da questão das redes e das Big Techs. Para tanto, o emprego da propaganda pública como forma de mobilizar a conscientização da população e o acionamento judicial dos responsáveis por veicular informações falsas é importante como forma de enaltecer a soberania nacional, pautar o discurso político e combater a desinformação, para assim solidificar um ambiente dialético.