A influência do espaço virtual nas campanhas eleitorais
Enviada em 02/10/2024
A filósofa Hannah Arendt defende o conceito de “banalidade do mal”, a tendência social de naturalização das mazelas que afeta a coletividade. Consoante a isso, a realidade iguala-se ao ponto teórico abordado, principalmente em função da evi-dência da influência do espaço virtual nas campanhas eleitorais. Isso ocorre devido à propagação de notícias falsas e a ineficiência fiscal
Diante deste cenário, é importante citar as fake news -informações falsas- como grande motor motriz para esse problema. Nesse sentido, de acordo com uma pes-quisa realizada em 2022 pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE),informações falsas circulam com 70% mais velocidade do que as verdadeiras. Desse modo, percebe-se que a rapidez de propagação dessas informações é vital no que tange esse impas-se, pois o grande fluxo de dados simulados influencia outros meios de comuni-cação a propagar as mesmas ideias, afetando diretamente nos resultados das eleições. Assim, o indivíduo torna-se mais suscetível a acreditar no que é apresen-tado, já que a quantidade e agilidade dessas notícias faz com que cheguem primei-ro e com mais intensidade.
Outrossim, faz-se mister analisar o descaso fiscal como outra consequência do fato supracitado.Sob essa ótica, na visão do sociólogo Emillé Durkheim, “fato social” é a maneira conjunta de agir e pensar presente na sociedade. Dessa forma, é possível citar a negligência fiscal como grande propulsor para essa problemática, visto que, conforme as fake news são rapidamente publicadas, através das redes sociais, a fiscalização inadequada não impede a disseminação dessas notícias falsas, permitindo com que haja o pensamento conjunto baseado em dados manipulados, afetando eleitores em sua decisão democrática. Nesse ínterim, é possível notar o compartilhamento de pensamentos adulterados de uma pessoa para outra, como afirma Durkheim.
Portanto, é importante modificar o quadro atual. Destarte, cabe ao governo, na condição de garantidor de direitos, aumentar a fiscalização no meio virtual, por meio de fiscais contratados pelo Estado. Em virtude disso, a fiscalização será mais rígida, com a finalidade de acabar com as fake news e de trazer luz às mazelas que a sociedade tende a naturalizar, como afirmado por Arendt.