A insuficiência de creches públicas no Brasil
Enviada em 14/01/2026
A primeira infância é reconhecida como a fase mais determinante do desenvolvimento humano. O economista James Heckman aponta que investimentos realizados nos primeiros anos de vida geram impactos sociais duradouros. Entretanto, no Brasil, a carência de creches públicas evidencia um distanciamento entre esse entendimento e a realidade, uma vez que a falta dessas instituições compromete tanto o desenvolvimento infantil quanto a redução das desigualdades. Dessa forma, é preciso discutir essa problemática para, assim, solucioná-la.
Nesse sentido, a escassez de creches públicas afeta principalmente crianças de famílias em situação de vulnerabilidade. A ausência de acesso à educação infantil pública e de qualidade limita o desenvolvimento cognitivo e social, fazendo com que crianças mais carentes cresçam em condições desiguais em relação aos estudantes que podem frequentar instituições privadas. Essa situação dialoga com a noção de reprodução das desigualdades, da socióloga Marie Duru-Bellat, segundo a qual o sistema educacional tende a perpetuar disparidades sociais quando não garante condições mínimas desde a infância.
Ademais, a insuficiência dessas instituições impacta diretamente a organização familiar e o mercado de trabalho. No Brasil, as responsabilidades relacionadas ao cuidado infantil recaem majoritariamente sobre as mulheres, o que restringe sua permanência no emprego formal quando não há creches disponíveis. Essa realidade se aproxima do conceito de “trabalho invisível”, abordado por Silvia Federici, que evidencia como atividades de cuidado, embora essenciais, são naturalizadas, contribuindo para a manutenção das desigualdades de gênero.
Por isso, é preciso que o Poder Público, especialmente o Ministério da Educação, amplie a oferta de creches públicas no país. Para isso, é necessário investir na construção de novas unidades e na ampliação das já existentes, priorizando regiões com maior demanda, além de garantir a contratação de profissionais qualificados. Essas ações devem ser acompanhadas por fiscalização, a fim de assegurar o uso eficiente dos recursos. Assim, o Brasil se tornará um exemplo mundial ao garantir educação pública de qualidade a toda população.