A insuficiência de creches públicas no Brasil

Enviada em 08/07/2025

A frase “Ordem e Progresso”, escrita na bandeira do Brasil, foi inspirada no ideal de um país justo e equilibrado, como defendia o filósofo positivista Raimundo Teixeira Mendes. No entanto, ao observar a realidade atual, percebe-se que esse lema está longe de se concretizar. Questões como a insuficiência de creches públicas no Brasil escancaram o contraste entre o que se imaginava como progresso e o que se vive na prática, comprometendo direitos básicos e a dignidade de muitos brasileiros. Diante disso, torna-se necessário discutir os principais fatores que mantêm esse cenário, como a negligência governamental e a ausência de debates críticos.

Em primeiro lugar, é válido mencionar a obra “O Cidadão de Papel”, de Gilberto Dimenstein, que denuncia como muitos brasileiros possuem direitos garantidos apenas no papel, sem efetivação prática. Esse cenário se agrava diante da falta de investimentos e melhorias de creches, evidenciando a omissão do Estado frente às suas obrigações constitucionais. Além disso, a ausência de políticas públicas eficazes contribui para a perpetuação de desigualdades estruturais, impedindo o acesso equitativo a direitos básicos para a população que não tem rede de apoio para deixar suas crianças.

Ademais, segundo a filósofa Djamila Ribeiro, o primeiro passo para solucionar um problema social é tirá-lo da invisibilidade. Entretanto, no caso da alta demanda de crianças desamparadas e poucas creches com vagas acaba afetando pais que precisam trabalhar mas não tem rede de apoio, percebe-se que ainda é tratado com descaso ou é pouco discutido de forma crítica na mídia e nos espaços institucionais. Isso dificulta a conscientização social e a mobilização coletiva, o que, por sua vez, mantém o problema em um ciclo de negligência e invisibilidade.