A internação involuntária de dependentes químicos no Brasil.
Enviada em 03/09/2019
É notório que a internação involuntária de dependentes químicos no Brasil tem crescido consideravelmente, contudo acredita-se que este tipo de tratamento não seja considerado o mais adequado, principalmente no que se refere ao tempo de internação e ao retorno do dependente ao ambiente comunitário.
Ressalta-se que o tempo de internação é de no Maximo 90 dias, período este em que é realizado apenas uma desintoxicação no dependente químico, não produzindo assim efeitos significantes em seu histórico de usuário, compreendendo que este é um procedimento superficial até irrelevante diante do efeito que as drogas tenha deixado em seu corpo, comprometendo sobretudo o seu desenvolvimento cognitivo.
Além disso, existe o fato do retorno do dependente ao ambiente comunitário ao qual é inserido, pois o contexto social, econômico e cultural são os mesmos. A família muitas vezes com recurso mínimos, não possui meios de ofertar a continuidade do tratamento em sua casa, o dependente, ao encontrar os mesmos conflitos familiares e a mesma facilidade ao acesso as drogas, acaba se reinserindo novamente no vício, impossibilitando assim, qualquer acesso ao acompanhamento ofertado nos municípios, salientado também, que tal acompanhamento é insuficiente, sendo ofertado em grande maioria por equipes de saúde mental.
Diante do exposto, nota-se que é preciso muito mais que uma mera desintoxicação, é necessário que as políticas públicas sejam reformuladas, proporcionando tanto aos dependentes quanto a família um tratamento de qualidade, onde ao retornarem ao convívio familiar e comunitário encontrem meios que oportunizem o acesso a ressocialização.