A internação involuntária de dependentes químicos no Brasil.
Enviada em 07/10/2019
Margaret Chan, ex-diretora da Organização Mundial da Saúde, defende que o consumo de drogas deve ser visto como um caso de saúde pública, porém, é notório que a população vê os usuários como criminosos e não como doentes. Nesse viés, é perceptível que a internação involuntária de dependentes químicos, no Brasil, fere o livre arbítrio da sociedade. Além disso, é importante salientar que as conjunturas sociais, como a omissão familiar, contribuem para o contato dos indivíduos com os entorpecentes, o que é um imbróglio.
Em primeira instância, é válido citar que de acordo com o sociólogo Foucalt aqueles indivíduos que não se adaptaram ás normas e á hierarquia institucional, passaram a ser rotulados de delinquentes, vândalos e loucos. Assim sendo, é evidente que os narcóticos são marginalizados na sociedade, pelo fato de alguns chegarem a pontos de usar a violência e até o roubo para saciar a abstinência. Dessa maneira, o internamento compulsório tem o poder de aumentar essa taxa de preconceito, pois, interfere no livre arbítrio do indivíduo de consentir sobre a sua situação e , portanto, as pessoas passam a o ver como alguém incapaz de cuidar de si.
Em segunda instância, cabe enfatizar que com a ascensão do capitalismo as relações de trabalho mudaram e as pessoas passaram a ter um cotidiano corrido, com pouco tempo para dedicar as relações interpessoais. Nesse ínterim, a fluidez dos relacionamentos familiares geram um âmbito de carência para aqueles que necessitam de mais atenção. Em virtude disso, em momentos de atribulações os indivíduos vêem nas drogas uma válvula de escape, uma solução para amenizar os problemas, contudo logo torna-se um ciclo vicioso. Por conseguinte, a internação involuntária é vista como resolução da questão dos usuários, quando o obstáculo deveria ser tratado desde a raiz.
Dado o exposto, é proeminente, portanto, que se tome medidas para mitigar os problemas na vida dos dependentes químicos. Assim, o Estado, que é um mediador das relações sociais, através do Ministério da Educação, deve viabilizar projetos que enfatizem a necessidade da atenção com o próximo, mas também do efeito do preconceito sobre a sociedade, a fim de evitar vícios e haver mais internamentos consentidos, que partem da vontade do próprio usuário.