A internação involuntária de dependentes químicos no Brasil.

Enviada em 09/10/2019

É notório que a internação involuntária de dependentes químicos no Brasil têm causado grandes debates, principalmente entre os profissionais da saúde, após a remodelação dos parâmetros necessários para a internação involuntária, as comunidades terapêuticas e o poder público , impulsionados pelo interesse econômico e maravilhados pela possibilidade da limpeza socais que mudança da lei possibilita, estão contrariando os principais órgãos de saúde psiquiátrica do país.

O interesse econômico das comunidades terapêuticas particulares vai de encontro aos diferentes protocolos que norteiam o tratamento de dependentes químicos e portadores de necessidades especiais no Brasil. Movidos pelos interesses econômicos, essas comunidades conseguiram equiparar os financiamentos governamentais aos centros de atenção psicossociais  (CAPS), apesar de apresentarem resultados inferiores, continuam a expandir-se. Ao possibilitar a internação involuntária em comunidades fechadas, geralmente religiosas, a nova lei oportuniza a utilização de toda uma população de risco para fins meramente lucrativos, visto que nestes centros a conversão religiosa mostra-se como unica salvação.

Além disso, o clamor popular pela limpeza social tem elegido diversos políticos que ascendem ao poder comprometendo-se a “varrer” todos os cidadãos indesejados para fora de seus municípios eleitorais. Pratica essa, que chocou o Brasil em 2014, durante a copa do mundo, as diversas denúncias sobre superlotação de abrigos, recolhimentos forçados e o distanciamento desta população dos pontos turísticos, foi comum em todos os estados que sediaram a copa. A limpeza social não repercute positivamente na qualidade de vida dessa população, visto que apenas afasta momentaneamente os “indesejados” e não trata as causas que subvertem essa parcela populacional em potenciais internos involuntários.

É inquestionável a necessidade de abordar os reais interesses das instituições que obtêm lucro e alcançam o poder através das internações forçadas, cabe a sociedade pressionar o poder público, afim de fiscalizar as comunidades terapêuticas provocando o atendimento humanitário e a real ressocialização do individuo, como também, cabe a classe politica como um todo voltar-se para o combate as causas fundamentais que levam a população ao uso de drogas, como o combate a miséria, a fome e a violência, para assim interromper de uma vez por todas o quase interminável ciclo dos cidadãos indesejáveis no Brasil.