A internação involuntária de dependentes químicos no Brasil.
Enviada em 10/10/2019
‘‘Meus heróis morreram de overdose’’. Esse é um trecho da música Ideologia, do cantor Cazuza, que retrata o fim dos ídolos do astro brasileiro, mortos pelo abuso de drogas. Infelizmente, essa é uma realidade no Brasil, pela quantidade de dependentes químicos. O número de pessoas nessa condição é expressivo como consequência do passado colonial. No entanto, com a internação involuntária dos usuários adictos diante de determinadas condições, é possível diminuir o problema.
No que tange à dependência química, é fundamental afirmar que ela é um resultado da falta de debate público sobre saúde mental no Brasil. Isso ocorre porque desde a colonização, com a vinda dos padres jesuítas, a sociedade internalizou que o bem-estar do indivíduo é proporcionado majoritariamente por Deus, logo, os problemas individuais são resolvidos por essa entidade e falar sobre coisas que incomodam seria, assim, desnecessário. Desse modo, a dependência química aumenta no país, uma vez que as pessoas vão recorrer ao ciclo vicioso das substâncias danosas para remediar condições mentais não externalizadas socialmente pelo tabu criado.
Evidentemente, remediar os sintomas de problemas mentais com as substâncias ao invés de atacar a causa do problema (a falta de debate) não resolve a questão, o que leva os indivíduos aos extremos. Eles são inegáveis quando o dependente químico ameaça não apenas a própria integridade física e psicológica, mas a das pessoas que os cercam, como amigos e parentes. Nesse contexto, a internação involuntária é necessária, haja vista o respeito à liberdade individual, que consiste em não cercear o outro de liberdade, como teoriza o austríaco Ludwig von Mises no livro ‘‘Liberalismo’’.
Fica claro, portanto, que a falta de debate público sobre saúde mental corrobora para a ocorrência da dependência química e surge a necessidade de internar compulsoriamente o usuário. Sendo assim, é necessário atacar a causa do problema para que essa realidade não seja uma constante. Destarte, o Ministério da Educação, responsável por administrar o ensino no país, deve fomentar a discussão sobre saúde mental e dependência química no Brasil. Tal ação pode ser concretizada por meio da alteração da matriz curricular de todos os níveis escolares, estabelecendo uma carga horária mínima para falar sobre como preservar a saúde mental e a relação direta entre ela e dependência química. Assim, é possível diminuir o número de internações compulsórias, uma vez que menos dependentes químicos surgirão. Afinal, ninguém merece perder os heróis por overdose.