A internação involuntária de dependentes químicos no Brasil.
Enviada em 13/10/2019
A internação involuntária de dependentes químicos não é ideal, pois, como afirmava Carl Rogers, um dos grandes psicólogos do século XX, se um indivíduo não desejar mudar e melhorar sua vida, intervenção terapêutica alguma lhe terá efeito. No entanto, as pessoas em questão são dependentes de drogas pesadas. Seus estados psicofisiológicos podem estar tão alterados, que não restam alternativas práticas senão os relocar para um local calmo e isolado até que eles estabilizam-se.
Nesse assunto, é importante que decisões sejam feitas de modo realista e, dada a ineficácia de intervenções onde não há a cooperação do sujeito, o Estado não deve investir seus recursos em empreitadas visivelmente infrutíferas como esta. Em vez disso, nossa melhor opção para auxiliar na recuperação de dependentes é selecionar instituições que possam comprovar um histórico de sucesso com o tratamento de seus pacientes na esfera privada e, então, direcionar a elas grandes subsídios.
Porém, não podemos nos esquecer que as várias forças que assombram as vidas despedaçadas dos dependentes químicos podem levá-los a situações críticas, as quais podem ocasionar danos permanentes ou mesmo a morte. Nesses casos, é imprescindível que haja uma maneira de retirá-los do ambiente nocivo onde estão e oferecer uma rota à melhora, mesmo que nem todos a aceitem, pois a alternativa é extrema demais para aceitar sem resistência.
Dessa forma, podemos constatar que há uma grave necessidade para a existência de internações involuntárias, mas isso não nos liberta do fato de que o tratamento a longo termo de indivíduos não cooperativos é uma causa perdida. Seguindo estes parâmetros, o Estado deve manter, abertas e bem supridas, clínicas temporárias para acomodação daqueles internados por decisão de outrem. Eles permanecerão nesses locais por, no máximo quatro meses e, então, decidirão se desejam retornar à sociedade ou prosseguir com sua recuperação. Nesse caso, eles devem ser transferidos para instituições privadas que possuam um histórico bem documentado de sucesso com seus pacientes e, tal como foi mencionado acima, os estabelecimentos assim selecionados também devem receber grandes subsídios do Estado, uma vez que demonstraram ser os melhores agentes nos esforços contra a dependência química.
OBS: Quando essa redação foi escrita a mão, ela chegou ao máximo de 30 linhas.