A internação involuntária de dependentes químicos no Brasil.

Enviada em 11/11/2019

Distúrbio forçado

No filme brasileiro “Bicho de sete cabeças”, um jovem enfrentando suas crises existenciais tem a vida destruída ao ser internado por seus pais num centro de reabilitação para dependentes químicos após se envolver com o uso de drogas. Situação análoga ocorre com muitas pessoas no Brasil, que sofrem danos físicos e psicológicos irreparáveis ao serem levadas a tais lugares involuntariamente. Isso porque, na maioria dos casos, são utilizados métodos desumanos de combate ao comportamento desviante dos internos, como o choque elétrico.

Nesse contexto, é evidente que a internação involuntária é prejudicial ao paciente, visto que o mesmo necessita de tratamento adequado para vencer o vício. Por esse motivo, o CFP (Conselho Federal de Psicologia) registrou a média de 236 tentativas de fuga por dia nos hospitais psiquiátricos de todo o Brasil. Portanto, é indiscutível o malefício da internação involuntária e de seus efeitos para a saúde física e mental do dependente químico.

Além disso, a internação involuntária fere o direito humano à liberdade, já que incapacita o interno. Acerca disso, o romance de Machado de Assis “O Alienista” conta a história de um psiquiatra que enlouqueceu após internar involuntariamente diversas pessoas da região onde vivia, justamente por não encontrar nelas distúrbio algum que justificasse o tratamento.

Conclui-se, assim, que a internação involuntária traz muitos prejuízos tanto para o interno, como ocorreu com o jovem no filme “Bicho de sete cabeças”, quanto para o profissional, no caso de “O Alienista”. É necessário, portanto, promover mudanças legislativas em relação a essa causa, de forma que o Ministério da Saúde defenda a criação de leis mais severas para quem comete tais atos, a fim de tornar crime a internação de dependentes químicos a força e salvar, por fim, a vida de tantas pessoas em todo o Brasil.