A internação involuntária de dependentes químicos no Brasil.

Enviada em 31/10/2019

O livro “Holocausto Brasileiro” relata a história do manicômio em Barbacena e as calamidades ocorridas nessa instituição. Diante de múltiplos exemplos negativos, houve uma mudança de mentalidade da abordagem com casos de saúde mental por parte dos profissionais de saúde. O que resultou na luta antimanicomial. Infelizmente, houve um retrocesso, quando a internação involuntária de dependentes químicos foi aprovada pelo congresso, que terá desdobramentos negativos para o povo brasileiro.

Em primeiro lugar, essa medida representa uma contradição com a própria lei que protege os direitos das pessoas com transtornos mentais, já que um dos direitos básicos do cidadão é o direito de ir e vir, que é negado em uma internação involuntária. Além disso fere uma das diretrizes básicas do Sistema Único de Saúde que é garantir a autonomia do paciente. Sendo a autonomia e o direito de escolha sobre a internação ou não de si próprio também negados nesse processo. Apesar de não ter uma correlação direta, a frase de Descartes, “penso, logo existo”, exemplifica o quanto o pensamento é algo primordial para a existência humana. Então quando esse é desqualificado por outrem pode gerar uma fragilidade mental, ou tristeza, ou raiva. Ou seja essa internação voluntária ao invés de resolver um problema mental, pode possibilitar o desenvolvimento simultâneo de outro, como depressão.

Ademais o resultado do tratamento com dependentes químicos é diretamente influenciado pela vontade do paciente em se recuperar. Segundo um artigo publicado na Revista Brasileira de Enfermagem em 2015, pacientes com força de vontade e boa auto estima têm mais chance de recuperação. Por isso, uma internação involuntária tem pouca possibilidade de ter um bom resultado. Além de possibilitar um alta reincidência na dependência química depois desse tipo de internação, já que o vínculo droga e pessoa não foi quebrado pela mesma Assim essa lei permite outro desdobramento negativo: gastos por parte da saúde sem os resultados desejados e eficientes.

Desse modo, intervenções são necessárias para diminuir os desdobramentos expostos acima. As instituições que irão abrigar essa pessoas que estão dependentes químicas deve ter uma regulamentação, por parte do ministério da saúde, que impõe a possibilidade que eles tenham visitas familiares e de amigos para possibilitar que a saúde mental seja mantida por elas. Ademais os psicólogos e os médicos dessas instituições devem ter abordagens integrais com esses pacientes, cuidando tanto dos vícios químicos, quanto da saúde física, emocional, espiritual deles, de modo a gerar uma mentalidade de cura nesses pacientes e possibilitar uma internação mais leve para eles, favorecendo a criação da vontade do paciente em se reabilitar e um bom resultado nesse processo.