A internação involuntária de dependentes químicos no Brasil.
Enviada em 31/10/2019
A dependência química é um grande adverso que o Brasil vem enfrentando há anos e ainda não conseguiu combater, junto a ela vêm os casos que precisam de internação, na maioria desses casos o indivíduo é internado involuntariamente, porem a principal questão é se aqueles que tomaram a decisão de internar o indivíduo involuntariamente estão cientes do que estão fazendo e se esta sendo feita de maneira correta e instruída, pois um usuário que e internado sem necessidade pode desenvolver outros transtornos psicológicos.
No mês de julho foi sancionada uma lei que permite a internação involuntária de dependentes químicos em hospitais psiquiátricos sem a necessidade de autorização judicial, a lei amplia o número de pessoas que podem pedir internação sem o consentimento, seguindo alguns critérios. O pedido pode partir de um servidor da área da saúde, assistente social ou de órgãos integrantes do Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas (Sisnad), porém essa lei faz com que as comunidades terapêuticas passem a ter prioridades que são em 90% delas geridas por grupos religiosos, sem profissionais de saúde. Desse modo o problema do despreparo para tomar uma decisão como essa continua.
Segundo Paulo Aguiar, do Conselho federal de Psicologia “A internação involuntária, de forma arbitrária e sem nenhuma intermediação com o sujeito, a família, e a equipe [médica], só vai levar a mais sofrimento." Nesse viés, confirma-se a ótica de Zygmunt Bauman, pois, em sua obra “O mal-estar na pós-modernidade”, o pensador advoga que o indivíduo contemporâneo age de maneira irracional, por ser vitimado pela cegueira moral. Isso significa que a sociedade não alerta seus indivíduos para reconhecerem a internação involuntária como danosa ao corpo social, pois na medida em que a vontade individual é negada aos usuários químicos problemas podem ser causados, como surtos psíquicos e violentos, em razão da abstinência e da abdicação da expressão pessoal do usuário.
Portanto, cabe ao congresso rever a nova lei com o objetivo de eliminar os problemas que ela pode causar aos dependentes, pois ela tem o objetivo de ajudá-los e não ao contrario, junto a isto o Ministério da Educação deve criar propagandas nas mídias tradicionais, que por meio do estímulo ao reconhecimento e aceitação dos direitos das pessoas em condição de reabilitação, faça o corpo social tomar um papel mais ativo nessa questão. Deste modo a problemática será solucionada e o cenário mudará.