A internação involuntária de dependentes químicos no Brasil.

Enviada em 07/02/2020

Não há dúvidas que a internação de dependentes químicos involuntariamente seja um tema propício a muitos debates, tendo em vista que são inúmeras vantagens e desvantagens a se observar. Ao aprovar uma lei em que se permite introduzir indivíduos em tratamentos de forma não consensual, coloca-se em risco a liberdade individual, além disso o método de abstinência pode se mostrar ineficaz, tendo em vista que o processo tem alta exigência.

Em uma entrevista ao site da revista VEJA, a advogada Paula Salgado alerta que é imprescindível que o Estado esteja ciente desde o principio quando a liberdade de alguém está prestes a ser limitada, mas diante das mudanças da lei, não é o que ocorreria. Conforme a especialista explica, a internação não passaria por análise judiciária e seria notificado apenas 72 horas após a sua efetivação.

Outro aspecto a ser abordado é o método de tratamento a ser utilizado, pois na lei era aplicado o chamado reparo de danos, onde aos poucos o indivíduo iria parar o consumo daquilo que o viciava, objetivando a possível abstinência total ao passar do tempo e na nova política se fala apenas na proposta de abstinência, entretanto pode ser um passo muito grande para quem está totalmente dependente de uma substância. Esses dois métodos devem ser utilizados como complementares, em vez de colocá-los como técnicas opostas.

Diante do exposto sobre a internação involuntária de dependentes químicos, o Poder Legislativo deve acessar ás diversas opiniões e pesquisas sobre essa lei e tudo que a envolve, para concluir se realmente é uma opção benéfica para todos os envolvidos e estar disposto a mudanças caso seja o melhor. Como Aristóteles afirma ‘’todos os homens, por natureza, têm desejo de conhecer’’, e é inegável que muitas pessoas consumem substâncias químicas motivadas pela curiosidade, faz-se necessário então, que o governo invista na transmissão de informações através de palestras em ambientes escolares e campanhas nas redes sociais e televisão, visando combater tal curiosidade.