A internação involuntária de dependentes químicos no Brasil.
Enviada em 25/07/2020
Na obra “Cidadão de Papel”, o jornalista Gilberto Dimenstein aborda os contrastes brasileiros, afinal, as leis que regem a nação não são executadas, tal conceito é intitulado “cidadania de papel”. Nesse contexto, insere-se o cenário dos dependentes químicos no Brasil, porquanto, como consta na Constituição, todo cidadão dispões do direito à qualidade de vida, contudo há impasses que impedem o restabelecimento da saúde do indivíduo e, logo, o descumprimento dos seus direitos. Assim, é necessário compreender como as adversidades dos dependentes químicos que das ruas e a relevância da conscientização do doente, são questões imprescindíveis quando trata-se de internação involuntária.
Por certo, há famílias que preocupam-se em internar seus entes para tratar a compulsão por drogas, entretanto, existem indivíduos que vivem nas ruas e não têm familiares aptos para interná-los. Dessarte, há o exemplo dos moradores da “Cracolândia”, em São Paulo, local que concentra muitos dependentes químicos com condições sanitárias, mentais e físicas péssimas e não são beneficiados pela internação involuntária. Por conseguinte, a escritora alemã Hannah Arendt afirma que uma atitude errônea tende a ser banalizada à medida que acontece repetidas vezes, conceito intitulado “banalização do mal”, tal definição está associada à omissão do Estado perante os dependentes químicos que residem nas ruas, fato que ocorre há anos e tornou-se trivial na realidade brasileira. Em suma, a apatia do Estado perpetua a penúria dos mesmos nas ruas.
Outrossim, para toda intervenção é fundamental o doente compreender sua situação. No entanto, em muitas das internações involuntárias o indivíduo não detém a ciência da importância da sua colaboração, assim, quando sai da clínica, retorna ao vício e permanece doente. Dessarte, no filme “Garota Interrompida, a personagem Lisa, que possui transtornos psíquicos, não compreende o quão determinante é sua colaboração no tratamento, sendo assim, tem inúmeros estágios de recaídas, mas no desfecho ela empenha-se no tratamento e é curada. Logo, é isso que deveriam trabalhar com os dependentes brasileiros, a exemplo da Lisa, e conscientizá-los, algo que não ocorre.
Portanto, cabe ao Governo Federal em associação com o Ministério da Saúde (órgãos cuja função é zelar pelo bem estar de todos residentes dessa Nação) promover a internação involuntária de dependentes químicos que moram nas ruas, por meio da avaliação psiquiátrica dos indivíduos e a emissão de laudos que comprovem a necessidade da introdução em clínicas de recuperação, para que os doentes sejam curados e não estejam padecendo nas ruas. Além disso, o Ministério Público, deve exigir que antes de iniciar o tratamento, o dependente deve receber apoio de psicólogos e psiquiatras a fim de fazê-lo inferir a indispensabilidade de seus empenho no tratamento para a cura.