A internação involuntária de dependentes químicos no Brasil.
Enviada em 14/05/2020
No limiar do XVI, Thomas More retratou, em sua obra “Utopia”, uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. Todavia, tal ficção aparenta não convergir a realidade contemporânea no Brasil: a internação involuntária de dependentes químicos, a qual é causada ora pelos prejuízos que o indivíduo subjugado submete a família, ora pelo uso exacerbado de drogas. Nesse sentido, faz-se necessária a discussão desses aspectos de forma urgente.
Sob um primeiro viés, é válido reconhecer esse panorama supracitado como promotor da problemática. De acordo com o sociólogo francês Émile Durkheim, em sua célebre obra “Da Divisão do Trabalho Social” as individualidades são conjuntos de valores, sendo necessária a divisão do trabalho para a vivência em sociedade. Através dessa óptica, é sabido que dependentes químicos, sob os efeitos dos entorpecentes, apresentam dificuldade de discernimento, tornado-o, muitas vezes, suscetível à mentiras e a violência, de modo a dificultar um valor comum, o respeito, em meio a população. Logo, torna-se imprescindível a dissolução do empecilho.
Em segundo lugar, vale salientar que o consumo exagerado de drogas cristaliza certa distância do homem e seu bem-estar. Segundo o jornal ChromaTox, em 2019, o uso de substâncias alucinógenas a longo prazo pode causar dependência psicológica maior do que física. Desse modo, é notório que tal submissão tem acarretado inevitáveis consequências, sendo exemplo decorrente dessa conjuntura, a internação inconsciente, a qual é caracterizada pela traumatização nos tratamentos inadequados das clínicas de reabilitação. Assim, o controle no consumo de drogas será essencial para a construção de um país pleno.
Diante do exposto, sobre a internação involuntária de dependentes químicos, no Brasil, medidas são necessárias a fim de aproximar o problema de sua solução efetiva. Para tanto, necessita-se, urgentemente, que o Tribunal de Contas da União direcione capital, que por intermédio do MS, órgão responsável pela saúde da do país, faça a distribuição de acompanhamentos psicológicos nas unidades básicas e avançadas de vida para os dependentes químicos e para os familiares. Além disso, o MS pode disponibilizar cursos de humanização para os responsáveis pelo tratamento de dependentes, a fim de um acompanhamento igualitário nas clínicas de reabilitação; essas medidas serão realizadas com o objetivo da diminuição do uso de entorpecentes e da garantia do bem-estar social. E, desse modo, a Utopia de More será alcançada.