A internação involuntária de dependentes químicos no Brasil.

Enviada em 24/06/2020

No filme norte-americano “Beautiful Boy”, o protagonista Nic Sheff é viciado em metanfetamina. Assim, o pai de Nic, David Sheff acredita que a única solução é internar seu filho, contudo, Nic se recusa, fazendo com que o vício piore progressivamente, até se consolidar em uma overdose que quase o levou a morte. Fora da ficção, a realidade brasileira não se difere muito do universo de Beautiful Boy. Assim como Nic, muitos jovens e adultos não aceitam a ideia de entrar em programas de reabilitação, ocasionando diversas mortes por overdose. Dessa forma, a internação involuntária de dependentes químicos se mostra como uma solução ao problema.

Em primeiro lugar, segundo a estimativa da Organização das Ações Unidas (ONU) do ano de 2017, a morte de, aproximadamente, 585 mil pessoas estava relacionada ao consumo de drogas. Ou seja, algumas dessas mortes poderiam ter sido evitadas caso o dependente químico tivesse feito algum tipo de reabilitação, como Nic, sendo ela com a internação ou não. No entanto, algumas drogas são fulminantes no seu poder viciante, como, por exemplo, o crack, que nunca superou a taxa de 10% de recuperação.

Ademais, em 2019, o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, sancionou a lei que autoriza a internação compulsória de dependentes químicos, que poderá ser solicitada pelo responsável legal, e, após feita a solicitação, o paciente é avaliado por um médico e psiquiatra responsáveis. Além disso, ocorre uma avaliação sobre o tipo de droga consumida pelo dependente e a internação será indicada na hipótese comprovada da impossibilidade de utilização de outras alternativas terapêuticas previstas na rede de atenção à saúde.

Portanto, fica evidente que, para que a lei sancionada pelo presidente seja bem sucedida, cabe ao Ministério da Saúde destinar recursos para a construção e aperfeiçoamento de áreas de reabilitação e para a profissionalização de psiquiatras, enfermeiros e terapeutas. Isso, com o propósito dos locais se tornarem mais aconchegantes para os pacientes e os profissionais da saúde estarem preparados para não só libertar o dependente do vício, mas também, de fazer a ressocialização dos mesmos. Outrossim, é de responsabilidade do Ministério da Educação promover palestras nas escolas com profissionais da saúde, no intuito de alertar os jovens quanto aos riscos do uso de drogas, principalmente do crack, visando prevenir e diminuir o número de casos no país, para que, futuramente, a internação involuntária já não seja mais necessária, e que muitos jovens não cheguem a experiência de uma overdose, como Nic.