A internação involuntária de dependentes químicos no Brasil.
Enviada em 29/06/2020
Após um levantamento realizado pela Fundação Oswaldo Cruz, estimou-se que mais de 3 milhões de pessoas são usuárias de drogas no Brasil. No entanto, muitos desses indivíduos perdem a capacidade de decisão devido ao vício nessas substâncias e não conseguem mais se integrar socialmente com facilidade. Diante disso, valida-se a discussão acerca da internação involuntária como marcada pela deficiência no sistema de saúde psiquiátricos primários no país, acarretando na insuficiência desse método como tratamento de dependentes químicos.
Em primeira análise, as falhas no sistema de saúde psiquiátrico no Brasil é um dos principais empecilhos para o êxito da internação involuntária de viciados químicos que, em vista disso, mantém dificultosa a integração da maior partes dos necessitados. Nessa perspectiva, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a dependência química, considerada uma doença crônica, requer tratamento contínuo e prolongado, mas, de acordo como o Ministério da Saúde (MS), apenas 0,34% das vagas recomendados pela Organização estão disponíveis para essa fração social. Em vista disso, fica explicito que a internação não espontânea de indivíduos afetados pelas drogas se faz insuficiente, haja vista a escassa estrutura destinada para o tratamento inicial.
A posteriori, em consequência da estrutura primária deficiente para o tratamento dos usuários de drogas, a internação involuntária não adquire uma completa eficácia e o número de indivíduos que voltam a ser usuários continua alto. Nessa perspectiva, o Instituto de Prevenção à Dependência Química e Apoio às Famílias (Abrafam) aponta que 90% dos dependentes químicos jovens voltam se drogarem mesmo depois do tratamento por não darem prosseguimento depois da desintoxicação. Destarte, a internação involuntária não é o principal componente na luta contra a dependência química, evidenciada não só pela precariedade no sistema de saúde primário oferecido, mas pelo percentual de indivíduos que apresentam recaída após o período de desintoxicação.
Depreende-se, portanto, que a internação não espontânea de dependentes químicos apresenta entraves para sua eficiência que precisa ser sanada. Assim, é fundamental que o Poder Público, junto com o MS, por meio de subsídio financeiro, proponha a criação de projetos de ampliação de assistência aos dependentes químico de todas as idades, com a construção de centros especializados, com uma equipe de medicina integrada (psiquiatras, psicólogos, nutricionistas), leitos hospitalares e implantação de cursos gratuitos. Tal medida aparece com o intuito de reduzir o número de dependentes químicos sem tratamento no país, proporcionar um processo de reabilitação completo e eficaz ao cuidar, não só do componente físico, mas também o mental e o social do paciente.