A internação involuntária de dependentes químicos no Brasil.
Enviada em 15/08/2020
No filme Batman Begins, vários pacientes sofrem relocações involuntárias para clínicas de reabilitação na cidade de Gotham. Fora do tablado ficcional, uma parcela significativa de dependentes químicos no Brasil são internados sem seu consentimento em espaços especializados. Nessa conjuntura, é necessário analisar negligências do governo em efetivar clínicas de reabilitação no país, bem como o papel da família em solicitar à hospitalização involuntária de parentes viciados em drogas.
A priori, obstáculos na terapia de pessoas com dependência química no Brasil são frutos, geralmente, do descaso governamental. Essa situação ocorre devido à falta de espaços para internação involuntária de pacientes no país. Isso porque muitos municípios nacionais não disponibilizam clínicas com profissionais especializados, além de equipamentos para hospitalização do doente. Tal perspectiva tolhi o direito à saúde preconizado pela Constituição Cidadã, posto que um grande quantitativo de cidades brasileiras não disponibiliza ambientes para internação, em alguns casos, sem consentimento de pessoas com dependência em narcóticos. Dessa maneira, percebe-se que os direitos sociais ficaram, mais uma vez, apenas no papel. Diante disso, as negligências de órgãos governamentais dificultam o tratamento de indivíduos dependentes de drogas no Brasil.
A posteriori, a família é um dos pilares na internação involuntária de pessoas viciadas em substâncias químicas no Brasil. Essa realidade transcorre devido ao crescimento vertiginoso da utilização de drogas no país. Isso se explica a partir do consumo de alucinógenos por cidadãos sem refletir sobre a sua integridade física e mental, bem como o prejuízo promovido no bem-estar de seus familiares. Tal panorama é verificado em reportagens do Fantástico, as quais indicam que mais de 3,5 milhões de pessoas criaram dependência em narcóticos no ano de 2018 em território nacional. Dessa forma, a família precisa intervir na internação involuntária de parentes com vícios em entorpecentes, posto que os doentes, geralmente, não reconhecem a necessidade da internação para o tratamento. Portanto, os familiares de dependentes químicos são um suporte para hospitalização do paciente.
Destarte, ONGs precisam criar campanhas de engajamento, por meio de projetos de conscientização para os familiares de indivíduos viciados, em que médicos debatam a importância da intervenção dos parentes para o tratamento sem consentimento do doente, a fim de garantir uma melhor qualidade de vida ao paciente e ao seus familiares. Outrossim, o Estado deve aumentar investimentos na saúde nacional, a partir da construção de clínicas de reabilitação, em que esses espaços tenham profissionais especializados na terapia do dependentes químicos, para que o direito preconizado pela Carta Magna seja efetivado no território nacional.