A internação involuntária de dependentes químicos no Brasil.
Enviada em 21/08/2020
Hordiernamente, no Brasil, há uma crescente relativização do poder de escolha por parte das pessoas que vivem sob o poder das drogas. Nesse contexto, a falta de atenção governamental, nos permite considerar a internação compulsória dos dependentes químicos como um problema a ser enfrentado de maneira mais organizada em nossos dias. Com base nesse viés, cabe analisarmos as principais causas, consequências e possível medida para essa problemática que cerca a nossa realidade.
A princípio, cabe ressaltar a grande ineficiência do Estado em promover medidas de saúde pública que proporcionem um maior amparo para os indivíduos submetidos a realidade do vício. De acordo com o Portal de notícias do G1, no ano de 2017, o então governador de São Paulo, João Doria promoveu uma ação policial brusca para a expulsão de todas as pessoas da Cracolândia devido às atitudes estatais dessa magnitude, muitos familiares se veem praticamente coagidos a internar o indivíduo que vive subjugado a tais situações. Dessa maneira, é inevitável pressionarmos os nossos representantes com o intuito de que medidas mais humanizadas sejam realizadas para a solução dessa realidade vivenciada por muitos.
Além disso, cabe ressaltar as enormes lesões psicológicas causadas pelo internamento forçado dos viciados. Ao encontro da matéria do Fantástico de junho 2019, pesquisas realizadas por institutos brasileiros demonstram que a internação involuntária pode retardar o processo de recuperação do paciente e acarretar transtornos que podem durar a vida inteira, o que demonstra a seriedade e cautela com que o assunto deve ser tratado. Portanto, é fundamental um debate mais amplo com a sociedade e com institutos de pesquisas para que melhores ações relacionadas a bioética possam ser tomadas de maneira eficaz.
Destarte, faz-se mister que Poder Executivo em parceria com o Ministério da Saúde, destine recursos para a construção de clínicas de reabilitação, capacitação de profissionais da saúde e centros comunitários com atividade. Além disso, é necessário que forneçam cursos profissionalizantes visando a reinserção destes indivíduos na sociedade. Ademais, o Ministério da Educação deve promover palestras nas escolas, ministradas por profissionais da saúde, alertando os jovens quanto aos riscos do uso de drogas, com objetivo de prevenir e diminuir o número de casos no país.