A internação involuntária de dependentes químicos no Brasil.
Enviada em 20/08/2020
O filósofo Arthur Schopenhauer, em um de seus conceitos, afirma que os males da vida são oriundos da incapacidade humana de compreender a Vontade, forçando-o a se contentar com o prazer momentâneo. Tal pensamento se reflete no Brasil nos grandes números de usuários de droga, que por negligência de seus governantes, terminam internados precariamente para tratar seus vícios, independentemente de sua preferência. À luz disso, é válido ressaltar a necessidade do debate acerca da internação involuntária de dependentes químicos no Brasil.
Em primeiro lugar, é necessário compreender que a internação involuntária é utilizada pelos governantes como forma de lidar indiretamente com o problema do tráfico de drogas e criminalidade elevada. De acordo com a pesquisa da revista “Veja”, cerca de 50% dos dependentes químicos já cometeram crimes de furto e/ou tráfico em pequenas quantidades da substância, números muitas vezes normal do que esperado (estatisticamente) de um cidadão não dependente. Nesse sentido, pode-se considerar que é benéfico aos governantes a prisão desses indivíduos, dado que reduz-se o gasto com perícia e investigação inteligente por parte das organizações de combate à atividades criminosas.
Ademais, observa-se no Brasil o alto número de reincidência no uso de químicos narcóticos devido à internação involuntária do indivíduo. Conforme a análise do psicoanalista Sigmund Freud, é muito mais fácil convencer alguém de algo se esse alguém já está inclinado a ser convencido, o que releva a necessidade de respeitar a vontade do usuário de droga para, aos poucos, viabilizar seu tratamento. Esse é o exemplo da Noruega, país que lida com o problema convidando os dependentes químicos a reuniões e palestras de auto ajuda, que promove consultas psicológicas gratuitas, para então promover a vontade individual de ser tratada a dependência.
Portanto, é mister do Estado, como garantidor do direito e do bem-estar social, tomar providências para amenizar o problema. Como resolução à problemática, urge que o Ministério da Cidadania criar, por meio de verbas da União, programas inspirados nas reuniões e palestras Norueguesas, que o indivíduo deve ser convencido à buscar o tratamento, incentivado pelos profissionais do projeto. Também é dever do Ministério da Defesa criar, por meio de fundos inativos governamenais, organizações de combate ao tráfico e crime organizado, utilizando de tecnologias da revolução 4.0 para o combate efetivo do fornecimento da droga ilícita para o indivíduo vulnerável. Somente assim, será possível combater as raízes da internação involuntária no Brasil, garantindo então o verdadeiro Estado de bem estar social.