A internação involuntária de dependentes químicos no Brasil.
Enviada em 21/08/2020
O Arcadismo foi um período literário que evidenciou a fuga dos grandes centros urbanos poluídos e industrializados em direção ao ambiente rural, pacífico e estimado pelo eu lírico. Analogamente, o homem contemporâneo busca, muitas vezes, o distanciamento da realidade opressora, tendo como válvula de escape as drogas, acarretando o vício. Desse modo, uma das mediadas públicas brasileiras para o combate a essa situação é a internação involuntária, quando o indivíduo encontra-se inapto a sair dessa condição por iniciativa própria e oferece risco à comunidade e à família.
Primeiramente, as substâncias químicas presentes nas drogas, como o crack, estimulam a produção de neurotransmissores (endorfina), os quais intensificam as mensagens entre neurônios favorecendo a mudança positiva do humor. A partir disso, ocorre uma disrupção psíquica da capacidade de alto controle e, consequentemente, a dependência química. Desse modo, o efeito das reações no corpo humano é a inibição das necessidades fisiológicas, como a alimentação, levando o indivíduo a um estado crítico de saúde. Assim sendo, a internação involuntária pode promover o tratamento por meio da abstinência e do restabelecimento físico e psíquico do paciente.
Ademais, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o aumento do consumo de substâncias psicoativas favorecem o crescimento da taxa de criminalidade, como roubos. Visto isso, é importante salientar que a movimentação do mercado de venda ilegal de drogas necessita do pião do xadrez - o dependente químico. Dessa forma, o meio social e familiar estão diretamente envolvidos nessa rede fraudulenta, sendo vítima secundárias, através de saques e crimes de roubo. Assim, os meios para a resolução dessa problemática está na assistência a esse grupo pelo tratamento, muitas vezes involuntário ou solicitado pela família do indivíduo que se encontra em estado de dependência de drogas.
Portanto, é necessária a ampliar a distribuição dos centros de reabilitação para dependentes químicos. Isso deve ser realizado pelo Estado, como agente assegurador dos direitos individuais no contrato social, por meio de investimentos em infraestrutura. Essa ação visa a promoção de uma melhor qualidade de vida ao indivíduo. Além disso, organizações filantrópicas, juntamente a profissionais da saúde e assistentes técnicos, devem conscientizar e informar a população a respeito dos riscos que as substâncias químicas podem oferecer ao corpo humano. Isso será possível por intermédio de palestras que envolvam o corpo social, educação nas instituições de ensino e distribuição de cartilhas, visando a prevenção do contato primário a drogas ilícitas e a consequente dependência química.