A internação involuntária de dependentes químicos no Brasil.

Enviada em 15/08/2020

Em 2012, a Operação Cracolândia foi realizada com o objetivo de expulsar os usuários da concentração mais conhecida do país em relação à drogas ilícitas. Tal situação não foi conduzida da maneira correta e o problema prevalecer, o que fez a internação involuntária ser cogitada. Infelizmente, os brasileiros que passam pela dependência química não tem um apoio substancial das autoridades públicas, e algumas dificuldades podem ser observadas diante da problemática. Dentre elas, a má gestão dos recursos para ajudar viciados e o preconceito enraizado da conduta de um dependente.

Em primeiro lugar, nota-se que a má gestão dos recursos para ajudar um cidadão viciado dificulta o apoio nessa situação. De acordo com a  Lei Federal 10.216/2004, os dependentes químicos possuem amparo e podem ser internados se assim desejarem. Recentemente, o presidente Jair Bolsonaro sancionou medidas que ampliavam a internação involuntária, o que ajudaria em suma as pessoas que não podem mais decidir por suas próprias faculdades mentais. Porém, a má gestão das ferramentas já existentes prejudica as diretrizes que deveriam ser tomadas, visto que os brasileiros que enfrentam o vício não conseguem o tratamento apropriado. Infelizmente, o processo de reabilitação que uma pessoa poderia receber não é completo, muito menos bem orientado.

Além disso, o preconceito enraizado da conduta de um dependente é outra dificuldade que uma pessoa viciada enfrenta. Segundo o portal O Tempo, oito em cada dez brasileiros aprovam a internação involuntária de dependentes químicos como uma medida para que consigam desprender-se do vício. Entretanto, os pré julgamentos que uma pessoa recém recuperada enfrenta ao ser inserida novamente na sociedade prejudicam em suma o desenvolvimento interpessoal dos brasileiros. Consequentemente, uma pessoa internada involuntariamente não possui muitas alternativas quando tenta estabelecer a sua vida por muitos acreditarem que ela não é confiável, ou que retornará a sua condição anterior. Por conta disso, os preconceitos associados a uma pessoa que já foi viciada são danosos e precisam parar, ou poderão induzir uma intervenção involuntária novamente.

Portanto, medidas que solucionem a problemática fazem-se necessárias. O Governo Federal deverá garantir uma gestão responsável dos recursos, contratando e mobilizando profissionais da saúde mental para locais com pessoas em situação de vício para que avaliem a necessidade de internação involuntária deles e os encaminhem aos centros adequados por todo o Brasil. Além disso, deverá atenuar a continuidade dos preconceitos, criando material educativo sobre o execício da empatia para com pessoas viciadas e o veicular em locais públicos e na TV aberta, com ajuda da mídia. Dessa forma, acontecimentos como a Operação Cracolândia poderão ser evitados.