A internação involuntária de dependentes químicos no Brasil.

Enviada em 17/08/2020

De acordo com a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), é garantido a todos o direito à saúde, à dignidade e à vida. Apesar disso, em alguns casos como as famílias que possuem um dependente químico como membro, esses são tolhidos, devido a dependência pela droga da pessoa ou a falta de infraestrutura do Estado para acolher o paciente.

A priori, é importante ressaltar que a permanência da dependência relaciona-se diretamente a dificuldade do dependente químico conscientizar-se e aceitar a sua realidade. Além disso, é válido citar o que disse o cantor John Lennon “As drogas me deram asas para voar, depois me tiraram o céu”. Para além de sua fala, em um primeiro momento a droga dá a sensação de poder tudo, no entanto, em um posterior momento a vontade de usar determinada substância vence a consciência e isso torna-se uma dependência. Dessa forma, as células do fígado e as do sistema nervoso central adaptam-se a essas toxinas e exigem uma quantidade cada vez maior da substância , de modo quase imperceptível para o paciente. Em uma situação como essa, a única opção que resta, na maioria dos casos, ao ente familiar é a internação involuntária dessa pessoa.

Além disso, a dificuldade de recuperação de quem sofre com a dependência química ocorre devido à falhas governamentais de investir em infraestrutura, fiscalização e especialização de profissionais da área. Somado a isso, e segundo a Organização Mundial de Saúde, dos 32,7 mil leitos disponíveis no Brasil, apenas 11,5 mil são designados para dependentes químicos quando na verdade deveriam existir 950 mil apenas para isso. Dessa forma, revela-se uma insuficiência de estrutura para tratamento. Com isso, fica claro que são poucas as clínicas de reabilitação no país.

Portanto, é necessário que centros educacionais como escolas e universidades ministrem palestras com o intuito de conscientizar a população sobre a internação involuntária em caso de dependência química, com o auxílio de profissionais da área da saúde como psicólogos e psiquiatras. Além disso, é preciso também que o Estado multiplique o número de leitos, por meio de construções de novas clínicas para dependentes químicos, para que dessa forma seja assegurada os direitos previstos na DUDH tanto da família quanto do internado.