A internação involuntária de dependentes químicos no Brasil.

Enviada em 15/08/2020

De acordo com o psicanalista, Sigmunt Freud, o homem precisa encontrar válvulas de escape para fugir da realidade. No entanto, muitos utilizam das drogas como essa fuga e se tornam dependentes químicos, assim, necessitam de ajuda psiquiátrica e, até, de internação. Contudo, a depender da situação, se faz necessária a internação involuntária, devido ao mal que o vício faz ao indivíduo e à sociedade e à sua falta de liberdade em escolher o melhor para si.

Em primeiro lugar, um recorrente caso em que é necessária a internação involuntária é quando o indivíduo prejudica a si mesmo e às pessoas ao seu redor. Esse fato é mostrado na série americana “Breaking Bad”, na qual o personagem Jessie, dependente químico, acaba se colocando em situações de risco para comprar as drogas. Além disso, seu vício fazia mal à sua família, já que ele roubava o dinheiro de seus pais para sustentar o comércio das drogas. Para além da ficção, essa situação é comum em diversas realidades familiares no Brasil, o que faz o tema da internação involuntária emergir. Essa forma de ajuda ocorre quando os familiares ou um profissional de saúde emite um pedido de internação sem o consentimento do dependente químico. Dessa maneira, esse tratamento só deve ocorrer quando  indivíduo estiver tão ligado às drogas, que não percebe como isso prejudica a todos, sendo importante uma avaliação psiquiátrica do caso de cada pessoa antes de interná-la.

Outrossim, esse tipo de internação é imprescindível quando o indivíduo não apresenta liberdade para escolher o melhor para si. Assim sendo, o pensador existencialista Jean Paul Sartre afirma que uma escolha só pode ser julgada se for feita em liberdade. Visto esse pensamento, o dependente químico perde a sua liberdade à medida em que seu vício cresce, já que ele não consegue fazer escolhas que o afaste desse problema. Devido a isso, a internação involuntária entra em questão, pois os familiares e os profissionais irão fazer essa decisão por ele, a fim de sua recuperação e da melhora de sua saúde. Dessa forma, a internação involuntária deve ser discutida, com o intuito de diminuir os casos de dependência química no país.

Portanto, diante desse cenário de internação involuntária, são necessárias mudanças. Logo, é imprescindível que o Ministério da Saúde incremente a forma da internação involuntária, por intermédio do fornecimento de terapias psiquiátricas grátis a todos dependentes, para que todos possam ser analisados da maneira correta para emitir o pedido de internação ou não, para que sejam curados da melhor forma. Ademais, a família, por ser a responsável pela criação primária dos indivíduos, deve ser fonte de apoio aos parentes dependentes, por meio da conversa, da presença e do cuidado, a fim de que essas pessoas se sintam confortáveis em permitir que os familiares decidam pela internação.