A internação involuntária de dependentes químicos no Brasil.
Enviada em 21/08/2020
Cachaça, pitú e cerveja, essas bebidas fazer parte intrínseca do dia a dia de grande parte dos brasileiros, uma vez que o consumo de bebidas alcoólicas, assim como de outras drogas, é constantemente incentivado nessa sociedade. Nesse contexto, no Brasil, o número de dependentes químicos é crescente. Por esse motivo, discute-se, nesse país, a cerca da internação voluntária desses doentes. No entanto, sabe-se que essa ação, é fundamental para a preservação da saúde do indivíduo. Dessa maneira, cabe analisar a urgência dessa medida e a intervenção estatal na autonomia humana.
Em um primeiro âmbito, vale ressaltar que a nova política de internação involuntária reflete a urgência da conjuntura das drogas lícitas no Brasil. Conforme a filósofa Djamila Ribeiro, a guerra às drogas retrata uma política de extermínio da juventude negra na prática, haja vista os altos índices de assassinatos entre jovens negros e pobres. Aliada à esse viés, a internação não consentida de dependentes químicos, a qual se distingue da compulsória, também na prática, pelo eufemismo da palavra, representa proposta de higienização social das cidades, já que ela pode ocorrer sem decisão judicial. Prova disso foi a ação policial na Cracolândia paulista, onde usuários – maioria pretos e pobres – foram duramente reprimidos.
Em uma segunda esfera, é importante dizer que a recente política de drogas, a qual intervém na autonomia do homem, retrata a situação de menoridade dos dependentes químicos. Segundo John Locke, a maioridade humana dá-se mediante a autonomia de pensamentos e ações. Sendo assim, a menoridade reflete o oposto – um comportamento penoso e acrítico, passivo de intervenção e manipulação de outros. Tal ideia materializa-se na realidade da internação involuntária, posto que o indivíduo dependente químico, em geral, não reconhece a necessidade de buscar ajuda. Desse modo, o Estado age, buscando propiciar uma futura autonomia por intermédio da intervenção em uma situação de menoridade.
Portanto, a polêmica na questão da intervenção involuntária de usuários de drogas no Brasil reflete situação penosa ou bondosa. Para que se reverta essa situação conflitante, cabe ao Ministério da Saúde promover o debate acerca da redução de danos, medida mais eficaz comprovadamente, em que o usuário, através dos Centros de Atenção Psicossocial, reduz o uso da substância que é dependente. Tal debate deve ser feito mediante a convocação de profissionais de saúde, educação e segurança para palestras e “workshops” que elucidem as medidas da redução de danos, evidenciando formas de reforçá-la, a exemplo da ação informativa com moradores de rua usuários de entorpecentes.