A internação involuntária de dependentes químicos no Brasil.
Enviada em 24/08/2020
Segundo a análise psicológica de Alice no país das maravilhas, a personagem principal sofre de esquizofrenia e foi internada contra sua vontade em um sanatório. Fora da literatura, no Brasil, o fato de uma pessoa possuir uma doença psicológica, em especial a dependência química, não é motivo para uma hospitalização compulsória. Isso pois, é necessário que o indivíduo apresente riscos para si e para outros. No entanto,a má fama dos manicômios e a afirmação errônea de que tal ato é uma quebra de direitos diminui a busca e efetividade do tratamento.
Primeiramente, a palavra manicômio transmite medo a população e é um dos cenários para filmes de terror, pois antigamente muitos eram estruturas que escondiam as torturas e “tratamentos” desumanos que ocorriam dentro de suas paredes.Um exemplo disso é o hospício de Barbacena no Brasil, que é comparado aos campos de concentração nazista. Desse modo, os tratamentos psiquiátricos, principalmente quando ligado a internações, são mistificados como algo ruim. Assim, as pessoas escolhem menos optar por se tratar, em especial, casos como os dependentes químicos que não enxergam que estão doentes. Nessa linha de raciocínio, o baixo índice de busca voluntária por ajuda profissional construído pelo medo culmina no agravamento dos quadros dos enfermos e, consequentemente, aumenta a necessidade de hospitalizações compulsórias.
Outrossim, o deficiente conhecimento dos direitos e deveres do cidadão da sociedade brasileira gera uma falsa impressão de que a liberdade é uma lei sem restrições. No entanto, o artigo quinto deixa explicito que tal benefício individual se encerra onde o do próximo começa, além de criminalizar o suicídio. Nessa linha de pensamento, a partir do momento em que a pessoa traz risco a sua segurança ou a de um próximo ela pode ser removida do convívio social seja para uma prisão, ou para uma clínica psiquiátrica. Paralelamente a tal realidade, as drogas podem afetar o sistema nervoso do corpo a ponto de tornar um humano violento ou seja, torna o público mais instável dos viciados passiveis de um internamento compulsório, que é considerado última opção por ser o menos efetivo, mas que é importante para evitar agressão e em casos mais extremos a morte.
Portanto é necessário que a Mídia informativa em parceria com Organizações não governamentais formulem e disseminem uma campanha que vise desmistificar os tratamentos psiquiátricos, tal como reduzir a revolta causada pelo falso pensamento de que a liberdade é irrestrita. Isso só será possível por meio de comerciais e palestras com médicos, cientistas e influenciadores que evidencie como os tratamentos funcionam e que apenas se um dependente químico se tornar uma ameaça a vida de alguém ele será hospitalizado compulsoriamente.