A internação involuntária de dependentes químicos no Brasil.
Enviada em 16/08/2020
Diversos movimentos sociais e políticos moldaram a história da humanidade até os tempos atuais. Entre eles, o Movimento Hippie, iniciado nas décadas de 50 e 60 ao redor do mundo, que tinha como base o protesto e a libertação em meio as violências e censuras ocorridas naquela época. Entretanto, foi durante esse período,em forma de manifestação, que as drogas se popularizaram e se fixaram no Brasil, causando o início de uma longa batalha contra a dependência química e as suas diversas problemáticas, a exemplo da internação involuntária desses dependentes.
Em primeira análise, é importante destacar que o preconceito perante esse assunto é totalmente prejudicial a batalha contra as drogas, visto que inibe o debate aberto sobre as consequências do uso de drogas ilícitas, dificultando cada vez mais o combate a esse vício que tira a vida de vários brasileiros. Desse modo, em consequência do preconceito sobre esses usuários, forma-se também um esteriótipo negativo baseado no senso comum que todos os usuários de drogas são pessoas doentes e marginais, formando assim, uma visão distorcida dos dependentes químicos que influência diretamente na forma como essa problemática será combatida. Afinal , muitos aproveitam desse esteriótipo para utilizar da internação involuntária de forma errada e sem fundamento, fazendo referência assim a Albert Einstein quando ele cita que é mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito.
Outrossim, é essencial entender que essa intervenção involuntária muitas vezes é necessária, visto que são diversos os casos onde os próprios usuários não compreendem que chegaram a um estado que oferece risco a sociedade e a si mesmo, e precisa de ajuda médica em conjunto com o auxílio psicológico. Entretanto, é importante entender que essa medida muitas vezes não tem resultados positivos na vida desse usuário, afinal são poucos os casos de recuperação definitiva através desse método que vai contra o livre arbítrio do indivíduo. Assim, essa infeliz situação faz referência a John Locke quando ele cita que o homem é o lobo do próprio homem, em conclusão que foram ações tomadas pelo próprio indivíduo que o levaram a essa situação infeliz de dependência.
Dessa forma, urge que o Ministério da Educação desenvolva palestras ministradas por psicólogos e psiquiatras em escolas e faculdades sobre o uso de drogas e seus usuários, com o objetivo de conscientizar esses estudantes sobre as consequências do uso dessas substâncias e desmistificar o esteriótipo do usuário químico. Além de ações realizadas pelo Ministério da Saúde, a partir da criação de uma equipe de fiscalização de tratamento de dependentes químicos, que se baseie na certificação que várias outras ações foram realizadas antes da internação involuntária do indivíduo, com o propósito que a intervenção no livre arbítrio desses usuários sejam a última alternativa a ser realizada.