A internação involuntária de dependentes químicos no Brasil.
Enviada em 16/08/2020
A obra “O Alienista”,do escritor brasileiro Machado de Assis,narra a história de Dr. Bacamarte,médico dedicado ao estudo da psiquiatria,que constrói um manicômio chamado Casa Verde. Apesar de buscar tratar os indivíduos com distúrbios psicológicos,o alienista acaba por promover a internação forçada de pessoas saudáveis,o que gera um conflito na sociedade. Paralelamente a esse conto,percebe-se que a internação involuntária de dependentes químicos,embora seja importante para sujeitos em condições precárias,ocorre de forma desnecessária em diversos casos devido à negligência da família.
Primeiramente,é valido ressaltar que a internação involuntária tornou-se imprescindível em casos mais graves,em que os dependentes químicos representam um perigo para si mesmo e para os demais indivíduos. Tal ação é necessária,pois o auxílio médico das instituições especializadas no tratamento contra essas substâncias permite que os sujeitos alcancem as condições estabelecidas pelo filósofo Foucault como fundamentais para a saúde humana. Segundo esse especialista,o homem é uma construção biológica,psicológica e social,dessa forma é importante que tais fatores estejam em harmonia para que os cidadãos tenham uma vida saudável. Contudo,percebe-se que o uso excessivo de drogas lesa tais elementos,visto que,além de serem dominados por esses produtos,essas pessoas possuem suas saúdes mentais afetadas e o convívio com a comunidade prejudicados. A partir dessa precária realidade,nota-se que a ajude de especialistas,mesmo de forma forçada,é essencial para a garantia do bem-estar desses indivíduos.
Ademais,é importante abordar que a internação involuntária é realizada,muitas vezes,de forma desnecessária,em que os familiares utilizam de tal mecanismo para abandonar suas responsabilidades com os indivíduos doentes. Essa marginalização exemplifica a teoria da filósofa Marcia Tiburi,a qual afirma que os sujeitos desenvolvem uma negação aos demais cidadãos que possuem comportamentos e ideologias contrárias as suas,ou seja,eles são incapazes de compreender e dialogar com o diferente. Semelhante a tal pensamento,percebe-se que,apesar de estarem conscientes de suas ações e não representarem um risco para a comunidade,diversos dependentes são forçados a se internarem devido ao descaso dos seus responsáveis que tentam transmitir suas obrigações para as instituições.
Logo,é importante que o Estado busque promover o tratamento adequado de dependentes químicos,por meio da criação e do auxílio a instituições públicas que ofereçam terapias voltadas à abstinência,além de garantir especialistas que oriente os familiares a lidarem com as dificuldades decorrentes desse problema e que sejam capazes de atestar a necessidade,ou não,da internação involuntária,a fim de que tal realidade seja combatida e,assim,não seja preciso uma nova Casa Verde.