A internação involuntária de dependentes químicos no Brasil.
Enviada em 16/08/2020
A dependência química é uma doença biopsicossocial que afeta o sistema nervoso do indivíduo, bem com sua vida na sociedade, segundo a Organização Mundial da Saúde. Dessa maneira, em alguns casos se fala em internação involuntária dos enfermos no Brasil. Entretanto, pode não ser a melhor opção por não ter comprovação científica da eficácia, afastá-los do seu convívio habitual de forma brusca e sofrerem preconceito pela sociedade brasileira.
A priori, em 2019 a Lei Antidrogas foi sancionada, no Brasil, pelo presidente Jair Bolsonaro que permite a internação contra a vontade dos dependentes, caso seja comprovado que outras alternativas não terão eficácia no tratamento. Embora esse preceito traga benefícios como menos pessoas nas ruas e no tráfico, na ciência não é visto como totalmente eficaz, pois 95% dos casos de pacientes internados sofrem com recaídas após saírem das clínicas e hospitais de reabilitação, de acordo com o psiquiatra Ricardo Patitucci. Isso mostra que, na realidade, o sujeito sofre ainda mais com os métodos praticados sem o seu consentimento, o que faz com que se sinta incapaz de tomar as suas próprias decisões e ter controle sobre seu corpo, aumentando a frustração e sentimento de inutilidade na sociedade brasileira.
A posteriori, a internação involuntária é feita quando o indivíduo está inapto a responder por si, traga riscos à sua vida e de terceiros, como também tenha laudo médico para isso, de acordo com as normas da OMS. Contudo, essa retirada do meio social onde o dependente químico vive, deve acontecer gradualmente para que a sua recuperação seja a melhor possível, sem que passe por choques emocionais no decorrer do tratamento e sua dignidade não seja ferida. Além disso, apesar de 28 milhões de brasileiros, segundo o site de notícias G1, terem algum parente usuário e dependente, a marginalização do doente por uma parcela da sociedade ainda é alta. Assim, muitos, ao receberem alta, voltam a usar as drogas, pois não encontram espaço para si no meio social e são taxados como viciados e incapazes de exercer qualquer função, necessitando novamente de uma internação.
Portanto, a internação involuntária de dependentes químicos só deve ser considerada após outras medidas já terem sido tomadas no Brasil. Assim, o Ministério da Saúde deve investir em abertura de pontos de apoio para desintoxicação dos usuários e tratamento ambulatorial, com verba destinada à reintegração na sociedade, a partir de atividades de inclusão (jogos e artesanato), diálogo com psiquiatras e disponibilidade de remédios, quando necessário, para os menos favorecidos, a fim de que se sintam pertencentes ao local e superem essa enfermidade. Somada a isso, a família deve estar disposta a abraçar a causa e acolher esses dependentes, com incentivo a conseguirem passar pelo tratamento e visitas frequentes, a fim se sentirem cidadãos dignos e inclusos no Brasil.