A internação involuntária de dependentes químicos no Brasil.

Enviada em 21/08/2020

De acordo com a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), todo e qualquer cidadão tem direito à saúde e seus tratamentos. No entanto, a realidade brasileira está bem distante daquela também assegurada pela Constituição de 88, principalmente, no que diz respeito aos dependentes químicos. Sabe-se que desse grupo, boa parte das pessoas são internadas involuntariamente, e isso tem relação direta com questões familiares, do próprio doente e fatores econômicos.

No filme “A culpa é das estrelas”, a protagonista Hazel Grace é motivada por sua mãe a participar de um grupo de autoajuda no interior de uma igreja. Lá, a garota desabafa sobre seu câncer e descobre que alguns de seus novos colegas não têm apoio familiar para enfrentar alguns desafios como a dependência química, e por isso, só sentem naquele momento o apoio necessário para enfrentar tal situação. Fora do cinema, milhões de brasileiros passam pelo mesmo desalento, e por conseguinte, não querem ser internados. Por saber que seus consanguíneos vão abandoná-lo na instituição de tratamento - seja por despreparo, incapacidade financeira, ou por continuar mascarando o problema e negando o vício parental-, é difícil convencer e levar o enfermo mental para o devido tratamento.

Além da falta de apoio dos mais próximos, existem também as questões da incerteza, do preconceito e abstinência do dependente químico. Na novela “O clone”, da emissora globo, Débora Falabella contou a história de Mel, uma jovem viciada em drogas e que diversas vezes foi internada à força, a pedido de seus pais em uma clínica particular. Porém, no mundo real, grande parte da população vítima dessa mazela social, pertence as camadas econômicas mais prejudicadas, o que justifica ter que enfrentar a fila de espera no SUS,a qual para ter a solicitação aceita, precisa ser feita por escrito e aceita por um médico psiquiatra. Nesse ponto, choca-se o preconceito histórico e equivocado de muitos, o qual define que qualquer referência a psiquiatras é apenas para loucos, assim, o próprio dependente insiste em dizer que está bem e não aceita sua condição de viciado, negando-se, vergonhosamente, a ser internado.

Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. Aos familiares e amigos, é preciso que unam-se formando uma rede de apoio e incentivem o mentalmente vulnerável a se tratar, mostrando a ele que pode confiar nesses e que não há vergonha nisto. Ao Estado, é urgente que reduza a parte burocrática e amplifique a equipe médica, a fim de facilitar o atendimento gratuito pelo SUS, de modo que a espera não seja tão demorada.  Por fim, a mídia deve realizar campanhas, novelas e séries em horário nobre, para que todos entendam que problemas de dependentes químicos são sanados. Dessa forma, teremos uma sociedade mais saudável e equilibrada.