A internação involuntária de dependentes químicos no Brasil.
Enviada em 17/08/2020
“Alice no país das Maravilhas”, clássico filme da Disney, consiste numa garota que vive momentos alucinógenos após ingerir um cogumelo mágico, o qual a transporta para um mundo mágico. Semelhante à ficção, ocorre, na realidade, o uso de entorpecentes com o intuito de fugir das circunstâncias vividas por um indivíduo. Entretanto, essa busca acaba se tornando um refúgio, o qual aprisiona o ser e, cada vez mais, o prende ao mundo paralelo. Com isso, é de fundamental importância a análise da intervenção familiar nas decisões do dependente químico, por meio da internação involuntária, além do uso de técnicas médicas para proporcionar um alívio mental ao paciente.
Primeiramente, é imprescindível entender a relevância da intervenção familiar na internação do dependente químico. Isso porque, devido ao uso de drogas, o indivíduo está tão imerso sob o efeito de substâncias que não consegue reconhecer a necessidade de buscar ajuda para sair desse universo mágico. Assim, percebe-se que, quando a família, intervém nas decisões do seu ente, há um resultado mais rápido e eficaz, uma vez que a ajuda médica será realizada de maneira mais precoce. Exemplo disso, encontra-se no livro “Quarto de Despejo”, de Carolina de Jesus, a qual apresenta a realidade da fome associada ao uso do álcool. Nesse contexto, a escritora relata sobre a diferença comportamental entre quem come ou não. De forma análoga, perceber-se as relações interpessoais de um usuário químico, o qual não consegue, em grande maioria, responder por suas faculdades mentais, e, por esse motivo, precisa da intervenção familiar, o quanto antes, para a recuperação de sua autonomia.
Vale ressaltar ainda, que a internação involuntária pode gerar efeitos mais rápidos ao paciente. Conforme a psiquiatra Nise Silveira, a intervenção imediata ao doente minimiza os efeitos tóxicos no organismo, isso porque o corpo pedirá o uso de entorpecentes de maneira cada vez mais voraz e com o uso de técnicas, como a arte de explorar o lado imagético do ser, acarretará resultados extraordinários, já que é posto para fora aquilo que atormenta o indivíduo. Dessa forma, é evidente que o internamento involuntário de dependentes químicos é crucial para sua recuperação mental e física.
Nota-se, portanto, a necessidade do internamento de forma não voluntária. Logo, é preciso da ação familiar na intervenção imediata de seu ente para seu tratamento, com a aprovação do laudo médico, a fim de mitigar os danos ao organismo pelo uso de substâncias tóxicas, contando com, no mínimo, 90 dias de desintoxicação, com o uso de medicamentos e o auxílio de acompanhamento terapêutico e técnicas, como as usadas pela psiquiatra Nise, com o intuito de buscar, de forma natural, o equilíbrio do humano. Com isso, a pessoa conseguirá manter sua sanidade mental com os prazeres da vida e o reconhecimento de seu “eu” sem o consumo de cogumelos para se refugiar no “País das Maravilhas”.