A internação involuntária de dependentes químicos no Brasil.
Enviada em 19/08/2020
Na obra “O Alienista”, Machado de Assis retrata a história de um psiquiatra que decidiu construir uma clinica para tratar a loucura da população carioca, a “Casa Verde”, no entanto, o médico acabou perdendo um pouco o discernimento e passou a internar, involuntariamente, mais da metade da população de Itaguaí. Ao sair da literatura, percebe-se que um dos principais motivos de internação sem o consentimento do doente no Brasil atual, diferentemente da narrativa realista, é a dependência química. Nesse contexto, é fundamental entender a importância do internamento -mesmo que involuntário-, bem como o melhor tratamento aos viciados em entorpecentes.
É necessário, antes de tudo, observar que muitos dependentes químicos perdem o controle de suas ações e passam a apresentar um comportamento agressivo, o que coloca em risco não só ele mesmo, mas também aqueles que estão ao seu redor. Com isso, nota-se que o vício em drogas é, além de um problema de saúde, um grave problema social, já que todos os cidadãos sofrem, direta ou indiretamente, as consequências das atitudes e escolhas desses dependentes. Tal caso é tão sério que foi denunciado ainda no século XX, pela escritora Carolina Maria de Jesus, no livro “Quarto de Despejo” , o qual consta que “o álcool causa violência”, assim, além da bebida, outros tipos de drogas podem causar o mesmo comportamento danoso. Logo, fica evidente que as internações involuntárias são necessárias pois tanto protegem a sociedade das atitudes imprevisíveis dos dependentes, quanto os ajudam a tratar tal problema.
Analisa-se, também, que a dependência química é, antes de tudo, um problema mental, por isso ela precisa de um tratamento psicológico ou, em alguns casos, psiquiátrico regular. Assim, cada pessoa que seja viciada em substâncias químicas precisa de um tratamento individual, nesse sentido, a internação e locais aptos ao tratamento é fundamental para tratar de tal distúrbio psíquico de acordo com as necessidades de cada paciente. Visto isso, o filósofo Aristóteles teorizou que “é preciso tratar igualmente, os iguais e desigualmente, os desiguais, na medida exata de suas desigualdades”, ou seja, o tratamento deve ocorrer de forma diferente a cada necessitado.
Portanto, para tratar das internações involuntárias de dependentes químicos no Brasil, é imprescindível que o Ministério da Saúde, realize uma parceria com Organizações Não Governamentais (ONG’s) especializadas em abrigos e assistência aos viciados em entorpecentes e ,juntas, possam fornecer o tratamento que cada indivíduo precisa. Tal atitude será tomada com o intuito de oferecer as melhores condições de recuperação aos dependentes, pois eles terão atendimento psiquiátrico e suas necessidades básicas sanadas. Diante disso, o Brasil não será uma “Casa Verde”.