A internação involuntária de dependentes químicos no Brasil.
Enviada em 17/08/2020
Com o advento da modernidade, a sociedade tornou-se um lugar cada vez mais hostil para a propagação de vícios que culminam na abstinência de uma parcela da população, principalmente quando o assunto é a questão do vício em drogas. Porém, apesar da temática ser relevante no Brasil, por causa da Cracolândia em São Paulo, ainda existe o impasse sobre a internação involuntária do usuário em clínicas de apoio. Isso se dá pelo modo em que deve ser exercido tal ato, o que acaba dividindo críticas por ser algo que influi diretamente no asseguramento dos Direitos Humanos e desagua indiretamente também em algumas pautas que envolvem a religião e o preconceito de classe.
Não é de hoje que o Brasil enfrenta o desgastante sistema do tráfico de drogas ilícitas, no entanto, o problema continua persistindo e envolve novos aderentes à cada dia que se passa. Assim, é explícito que apesar do esforço da Polícia Federal para combater o tráfico, o problema se manifesta com base em outros pilares que advém de uma naturalização do uso de drogas por uma pequena parte da população que reflete o que Hanna Arendt teorizou de “Banalização do Mal”, um ato extremamente prejudicial. A partir disso, a internação involuntária pode ser sim uma opção favorável já que na maior parte dos casos, o dependente químico não consegue distinguir os efeitos altamente lesivos do uso de entorpecentes. No entanto, é necessário que ocorra o respeito aos direitos humanos e por isso, a família entre em consenso com o usuário para que o tratamento ocorra de maneira eficiente e gradual.
Apesar do acordo ser o melhor a se fazer para que exista uma internação adequada e efetiva, existem casos, como os que acontecem na chamada Cracolândia, que é preciso uma intervenção por parte do Ministério Público. Entretanto, se o ato não for feito de uma maneira adequada pode desaguar em problemas maiores como a volta do indíviduo para o seguimento das drogas ocasionando até uma possível overdose, o que infelizmente acaba sendo comum em noticiários, como ocorreu no infeliz caso de Elis Regina, uma renome cantora de MPB há alguns anos atrás. Desse modo, é inevitável não questionar se uma internação feita sem o próprio consentimento da cantora seria a melhor solução, mas o assunto ainda consiste em ser um tabu social, o que traz como efeito negativo a falta de diálogo.
Para que a internação seja mais receptiva pelo usuário químico é fundamental que a Mídia, configurada como Corpo Docente por Mário Sérgio Cortella, transmita publicidades informativas e didáticas de maneira a fomentar importância do diálogo entre os parentes com os dependentes químicos. Além disso, é preciso que o Ministério da Saúde em associação com as prefeituras municipais cadastrem todas as pessoas envolvidas pela dependência química para que assim, elas sejam agregadas no CACS mais próximo de maneira a ter o acompanhamento e tratamento adequado.