A internação involuntária de dependentes químicos no Brasil.
Enviada em 18/08/2020
No período da Segunda Geração do Romantismo, denominado Mal do Século, era comum o consumo exagerado de drogas pelos autores dessa fase literária. Nessa perspectiva, nos dias atuais, a internação involuntária de dependentes químicos é uma realidade no Brasil. Desse modo, o uso de entorpecentes como válvula de escape por indivíduos da sociedade e a desigualdade socioeconômica no território brasileiro são as principais causas da internação involuntária de dependentes químicos. Primeiramente, com o fim da Guerra Fria, no ano de 1991, tornou-se evidente a expansão de costumes capitalistas em todo o mundo e, consequentemente, o esgotamento mental e físico de diversos indivíduos. Dessa maneira, de acordo com o psicanalista Sigmund Freud, o sonho existe para a mente humana descansar durante o sono. Concomitante ao pensamento de Freud, o cidadão utiliza substâncias químicas com o objetivo de desligar-se da realidade cansativa a qual vive e, com isso, transforma as drogas em válvulas de escape, tornando-se, assim, um dependente químico. Desse modo, cerca de 27% da população brasileira, segundo dados da Datafolha, possuem algum familiar com problemas de dependência química e, portanto, reforma à internação involuntária.
Ademais, grupos populacionais com péssimas condições socioeconômicas são os mais acometidos pela dependência química. Desse modo, segundo a obra “Geografia da Fome” do geógrafo Josué de Castro, a desigualdade brasileira advém da concentração de riquezas no território e, por isso, pessoas carentes recorrem ao mundo das drogas. Hodiernamente, de acordo com dados da Datafolha, a maior incidência de indivíduos com dependência química têm renda familiar de até 2 salários mínimos. Com isso, faz-se necessário a criação de políticas públicas para a internação involuntária e ajuda socioeconômica dos cidadãos negligenciados no território brasileiro.
Portanto, medidas são necessárias para resolver esse impasse. Cabe ao Ministério da Saúde, juntamente com a Mídia, incentivar hábitos saudáveis, por meio da disseminação de campanhas midiáticas em todo o território brasileiro, com o objetivo de diminuir os casos de pessoas dependentes de alguma substância química e, consequentemente, não ocorrer casos de internações involuntárias. Além disso, faz-se necessário que o Governo, como gestor dos direitos coletivos, juntamente com ONGs, criem projetos para a diminuição de pessoas carentes com dependência química, por meio da criação de centros de acolhimento com dormitórios, refeições e ensino básico, com o objetivo de permitir o fim da dependência de drogas e da internação involuntária desses indivíduos.