A internação involuntária de dependentes químicos no Brasil.

Enviada em 17/08/2020

Segundo o pensador Bauman, o século atual é feito de relações frágeis, que o mesmo chama de modernidade líquida. Uma consequência comum desse tempo é a procura por um mecanismo de fuga, algumas pessoas rendem-se às drogas e tornam-se dependentes químicos. Dessa forma, certos casos precisam da intervenção parental para que a saúde mental do usuário seja cuidada, porém, no Brasil, o custo para isso é excludente.

No Brasil, segundo o site Correio Braziliense, 10% da população usa ou usou alguma droga ilícita de forma recreativa. Além de ser algo ilegal, esse uso pode levar o indivíduo ao vício, tornando-o um dependente químico. Pois a droga age nos neurotransmissores, trazendo uma sensação de relaxamento e faz com que o usuário não queira parar de usar. Logo, seria necessário a internação, mas o custo dela é muito maior que o possível para mais da metade dos brasileiros, o que faz com que o país seja um dos maiores em quantidade de dependentes químicos.

Além disso, de acordo com o sociólogo Michel Foucault, o homem para conviver em sociedade, necessita de uma construção biopsicosocial. Ou seja, ele precisa ter uma mente, um corpo e uma esfera social bem cuidada. Porém, um dependente químico só tem seu pensamento voltado para drogas e não consegue conviver da forma correta em sociedade. Dessa maneira, os familiares devem intervir na vida desse usuário e interná-lo de forma involuntária, se necessário. Pois assim, passado alguns meses ele estará limpo de substâncias e conseguirá pensar de forma racional e voltar a conviver em sociedade.

Portanto, cabe ao Governo um maior cuidado com sua população, construindo clínicas, em todas as cidades, para as pessoas que não têm condições de pagar a internação possam ir para lá. Esse espaço terá todos os profissionais necessários para cuidar dos pacientes e do local, que deverão ser tratados da melhor forma. As internações devem ser feitas por familiares e autorizadas pelos médicos, para que assim o vício do dependente químico seja tratado.